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Advogados de Eduardo Cunha veem semelhança entre casos do ex-deputado e do ex-assessor de Michel Temer; peemedebista está preso há quase um ano

Eduardo Cunha está preso desde outubro por decisão do juiz federal Sérgio Moro; Fachin também pediu prisão preventiva
Antonio Cruz/Agência Brasil
Eduardo Cunha está preso desde outubro por decisão do juiz federal Sérgio Moro; Fachin também pediu prisão preventiva

A defesa de Eduardo Cunha (PMDB)  voltou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar tirar o ex-presidente da Câmara dos Deputados da prisão. O novo pedido foi apresentado ao ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo, no fim da tarde dessa terça-feira (8), de acordo com informações da agência Reuters .

Os advogados de Eduardo Cunha pedem que sejam estendidos ao peemedebista os efeitos da decisão que concedeu liberdade a Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer que passou quase um mês preso após ser filmado recebendo mala de dinheiro enviada por executivos do grupo JBS.

A defesa de Cunha alega que a situação do ex-parlamentar é semelhante à de Rocha Loures , do procurador Ângelo Goulart Vilela e do advogado Willer Tomaz de Souza . Os três tiveram pedidos de prisão aceitos por Fachin por ocasião da Operação Patmos, entre maio e junho deste ano, mas já foram autorizados a retornar às suas casas.

O ex-presidente da Câmara também teve prisão preventiva decretada no mesmo episódio, mas ele já se encontrava na cadeia por conta de processos da Operação Lava Jato .

A decisão de  Fachin em decretar nova prisão preventiva de Cunha atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que se baseou em informações prestadas por executivos do grupo JBS. No recurso apresentado nessa terça-feira ao Supremo, a defesa do peemedebista argumentou que não houve comprovação de que o ex-deputado teria recebido ou mesmo atuado para receber dinheiro da empresa.

"Potencial delitivo"

No fim do mês passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou extensa manifestação a Fachin defendendo a manutenção da prisão de Cunha . O chefe do Ministério Público Federal alegou que, caso fosse colocado em liberdade, o peemedebista seria "capaz de influenciar, criminosamente, a esfera da política institucional".

"Seu potencial delitivo, hoje, está concentrado mais na capacidade de influenciar seus asseclas, ainda ocupantes de cadeiras no Congresso Nacional, do que propriamente no abuso das prerrogativas de parlamentar", escreveu Janot na ocasião.

Condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por decisão do juiz federal Sérgio Moro, Eduardo Cunha está preso desde outubro do ano passado. Ele cumpre pena em uma cela do Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, desde dezembro do ano passado.

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