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Nesta semana, governo anunciou corte no Orçamento e realocação de verbas; Torquato Jardim evitou falar sobre troca no comando da PF

Ministro da Justiça, Torquato Jardim, deu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (27)
Marcelo Camargo/ABr
Ministro da Justiça, Torquato Jardim, deu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (27)

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, admitiu nesta quinta-feira (27) que o contingenciamento de recursos orçamentários anunciado pelo Planalto afeta o trabalho da Polícia Federal, podendo resultar em menos ações policiais até o fim do ano e na necessidade de selecionar as mais importantes.

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“Estamos repondo na medida do possível. O contingenciamento da PF foi de R$ 400 milhões, mas R$ 170 milhões já foram repostos e estão previstos R$ 70 milhões mês a mês, o que deve ser suficiente até o final do ano. Isso poderá implicar um processo seletivo de ações, em não se realizar todas as operações necessárias, na extensão total. Este juízo compete ao próprio departamento”, disse o ministro da Justiça.

O contingenciamento anunciado na quarta-feira pelo governo alcança R$ 5,9 bilhões, além do remanejamento de R$ 2,2 bilhões do Orçamento deste ano. Com isso, chega a R$ 44,9 bilhões o total de verbas bloqueadas para 2017. O corte atinge principalmente o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que perderá, ao todo, R$ 7,4 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões que serão contingenciados e R$ 2,2 bilhões que serão realocados para outras áreas consideradas essenciais.

Crítica da Lava Jato

Torquato também rebateu o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, que responsabilizou o Ministério da Justiça pela redução no grupo de trabalho da Polícia Federal destacado para atuar na Lava Jato em Curitiba. O procurador fez as afirmações ao detalhar a 42ª fase da operação, que resultou na prisão do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine. Athayde Costa alegou que o ministro não consultou a força-tarefa sobre as necessidades do efetivo policial.

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O ministro classificou as afirmações como “infundadas” e disse que o que houve foi uma reordenação administrativa da própria Polícia Federal em razão das investigações. Segundo o ministro, as operações no Paraná já são menores do que as investigações realizadas em Brasília e também devem ser superadas pelas tocadas em São Paulo.

Comando da PF

Torquato Jardim também comentou sobre as especulações a respeito da saída do diretor-geral da Polícia Federal , Leandro Daiello. Segundo o ministro, os dois estão trabalhando em uma “nova” PF, que é “irrelevante” quem vai permanecer à frente do órgão e quem tem a decisão é do “dono da caneta”, em referência ao presidente Michel Temer.

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“Daiello e eu estamos trabalhando para uma nova PF, um novo sistema institucional. É irrelevante quem vai continuar, se ele lá ou eu aqui, ou se saem os dois ou se ficam os dois. Não há compromisso pessoal. Nunca houve prazo para ele sair. O ‘deadline’ é do dono da caneta, e o dono da caneta se chama Michel Temer”, concluiu o ministro da Justiça.


* Com informações da Agência Brasil

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