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Para evitar que novas conversas sejam gravadas, presidente mandou instalar em seu gabinete um equipamento que dificulta a compreensão de áudios

Defesa de Temer alegou que as gravações não foram juntadas ao inquérito após o trabalho da perícia
Marcos Corrêa/PR - 18.7.2017
Defesa de Temer alegou que as gravações não foram juntadas ao inquérito após o trabalho da perícia

Os advogados do presidente Michel Temer (PMDB) solicitaram nesta quarta-feira (19) ao STF (Supremo Tribunal Federal) o acesso a sete gravações recuperadas pela Polícia Federal na perícia feita no áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista (do grupo J&F) com o peemedebista, ocorrida no Palácio do Jaburu em março.

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A defesa de Temer alegou ao STF que as gravações não foram juntadas ao inquérito contra o presidente após o trabalho da perícia. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, as gravações são necessárias para compor a defesa durante a votação na Câmara dos Deputados, prevista para 2 de agosto, sobre o aval da Casa para o prosseguimento da denúncia contra o presidente no Supremo.

Em razão do período de recesso na Corte, a questão foi encaminhada à presidente do STF , Cármen Lúcia. Para que o Supremo possa fazer a investigação contra o presidente, é necessário o aval de pelo menos 342 deputados – o equivalente a dois terços do total de componentes da Câmara. O peemedebista é acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de ter cometido o crime de corrupção passiva.

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“Requer-se à Vossa Excelência seja oficiado o Instituto Nacional de Criminalista (INC) a fim de que possa fornecer, diretamente à defesa, os sete arquivos recuperados dos gravadores, conforme informados na Tabela 07 de seu parecer, pelo meio mais expedito, como garantia à ampla defesa que se pretende praticar junto ao plenário da Câmara dos Deputados no dia 02/08.”, diz a defesa do presidente.

Medida contra gravações

De acordo com informações publicadas nesta quarta-feira pelo jornal “Folha de S.Paulo”, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) instalou no gabinete do presidente no Palácio do Planalto um equipamento que dificulta a compreensão de áudios feitos a partir de gravadores do som ambiente.

O aparelho é chamado de misturador de voz e, de acordo com a reportagem da “Folha”, foi instalado no gabinete presidencial há cerca de três semanas. O equipamento emite sinais sonoros não perceptíveis pelo ouvido humano, mas que interferem nas gravações feitas.

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Em maio, a equipe de segurança instalou no gabinete de Temer um telefone protegido por criptografia, cujo objetivo é semelhante ao do outro equipamento, visando evitar grampos e vazamentos de conversas envolvendo o presidente .


* Com informações da Agência Brasil