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MPF anunciou que irá recorrer da sentença; procurador da Lava Jato diz que decisão é "injustificável" e que Cláudia teve "comportamento criminoso"

Juiz Moro entendeu que não havia provas suficientes para condenar a esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz
Marcos Oliveira/Agência Senado
Juiz Moro entendeu que não havia provas suficientes para condenar a esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz

No dia seguinte à sentença proferida pelo juiz federal Sérgio Moro absolvendo a jornalista Cláudia Cruz , esposa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), das acusações de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas, procuradores da força-tarefa da Lava Jato anunciaram que irão recorrer da decisão.

Em entrevista coletiva destinada a explicar a nova fase da operação, deflagrada na manhã desta sexta-feira (26) , o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse acreditar que a absolvição de Cláudia Cruz ocorreu devido ao "coração generoso" do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.

"Vamos recorrer. Discordamos e cremos que isso [absolvição] decorre muito mais de um coração generoso do doutor Sérgio Moro na interpretação de um fato envolvendo a esposa de uma pessoa sabidamento ligada à corrupção", disse o procurador.

O integrante do Ministério Público Federal rechaçou a ideia de que Cláudia desconhecia irregularidades envolvendo os recursos usufruídos por ela no exterior. A esposa do ex-presidente da Câmara dos Deputados era investigada por movimentar valores da conta Köpek, na Suíça, que seria abastecida com propina recebida por Cunha por ocasião da compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin , na África, em 2011.

"Sabemos que parte desses valores abasteceu a conta que foi usada por para seus gastos em bens de alto valor", declarou Santos Lima.

"Uma pessoa como Cláudia Cruz, jornalista, com nível cultural que ela tinha, e ausentes qualquer justificativa para ganhos dessa natureza do seu marido, que nada mais era que um deputado, entendemos que é injustificável a absolvição. Ela tinha conhecimento suficiente para saber a origem desses recrusos. Ao gastá-los, ela cometeu o crime de lavagem. O comportamento dela não é justificável e é criminoso."

Leia também: Entenda a compra de "poço seco" que fez Petrobras perder US$ 77,5 milhões em Benin

Benin, parte 3

A nova fase da Operação Lava Jato  volta a investigar o negócio que rendeu prejuízo de US$ 77,5 milhões à Petrobras em Benin. A compra do Bloco 4, que posteriormente foi descoberto ser um poço seco, já motivou a ação penal na qual Eduardo Cunha foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão  e também o processo em que Cláudia e mais três pessoas eram réus.

Desta vez, os investigadores apuram se mais gente se beneficiou dos repasses feitos pelo lobista João Augusto Rezende Henriques, condenado ontem a 11 anos e 6 meses de prisão.

Segundo informações repassadas pelos Estados Unidos e por autoridades da Suíça, cinco contas abertas nos dois países receberam repasses da mesma empresa usada por Henriques para enviar propina a Cunha. Um dos beneficiários dessas contas, o ex-gerente da Área Internacional da Petrobras Pedro Augusto Côrtes Xavier Bastos foi preso hoje. Também foi preso o banqueiro José Augusto Ferreira dos Santos.

A propina advinda da compra do campo de petróleo na África teria totalizado US$ 10 milhões, correspondente a cerca de um terço do negócio, de acordo com o MPF. Parte desse valor teria sido repassado, indiretamente, a Cláudia Cruz, segundo o procurador Santos Lima.

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