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Governador de SP defendeu decisão do PSDB em se manter na base aliada do governo, mas disse que apoiará FHC ou Tasso Jereissati caso Temer caia

Michel Temer - Geraldo Alckmin
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Michel Temer - Geraldo Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou nesta sexta-feira (26) que se disponibilizaria a participar de uma eleição indireta para presidente da República  caso Michel Temer tenha seu mandato cassado.

Em entrevista coletiva, Alckmin  defendeu a decisão de seu partido em se manter na base aliada do governo, mas disse que, caso ocorra uma eventual eleição indireta para a Presidência, os candidatos do PSDB seriam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE).

"Nós não temos nenhuma decisão de fazer nenhuma medida nesse momento. Agora, apoiar o governo é apoiar o Brasil. Mas já quero antecipar que, nessa hipótese, eu não sou candidato a nenhuma eleição indireta. Os dois grandes nomes do PSDB são o presidente Fernando Henrique [Cardoso] e o Tasso Jereissati", afirmou o governador.

A declaração se dá um dia após encontro entre o chefe do Executivo paulista com o prefeito de São Paulo, João Doria, FHC e Jereissati – realizado na casa do ex-presidente da República em SP.

"Foi uma reunião de avaliação. O presidente Tasso está conduzindo o partido com muita sabedoria e muita serenidade. Nós temos responsabilidade de ajudar o País a recuperar o emprego e não deixar a economia ser prejudicada, e nem as reformas", comentou o governador.

Perguntado se o senador Aécio Neves (MG), alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ser considerado uma "carta fora do baralho" para os planos do PSDB nesse momento, Alckmin evitou polemizar. "O próprio Aécio pediu afastamento do partido para fazer a sua defesa", comentou, de forma sucinta.

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Eleição indireta

O presidente Michel Temer é investigado no STF por supostamente ter avalizado esquema do empresário Joesley Batista para 'comprar o silêncio' do ex-deputado Eduardo Cunha e por ter indicado o deputado afastado Rocha Loures (PMDB-PR) para assuntos de interesse do grupo JBS junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Ele nega as acusações.

Desde o surgimento da gravação de conversa entre Joesley e Temer, na semana passada, já chegaram à Câmara dos Deputados 13 pedidos de impeachment contra o peemedebista. O último deles – e de maior apelo – foi protocolado nesta quinta-feira (25) pela Ordem dos Advogados do Brasil .

Temer ainda corre o risco de deixar o Planalto em decorrência da ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e investiga suposto crime de abuso de poder político e econômico por parte da campanha da chapa Dilma-Temer em 2014. O julgamento do processo será retomado no dia 6 de junho.

Caso, por alguma dessas vias, Temer venha a perder o mandato na Presidência da República antes da realização das eleições de 2018, será realizada uma eleição direta. Nessa hipótese, o futuro chefe do Executivo federal será escolhido pelos 513 deputados e pelos 81 senadores do Congresso Nacional, assim como aconteceu na época da ditadura militar.

Entre os candidatos, poderiam estar qualquer brasileiro com mais de 35 anos, filiados a partidos políticos, que não estejam enquadrados em qualquer uma das restrições da Lei da Ficha Limpa – tal como Alckmin, FHC e Tasso Jereissati. O mandato se encerraria no dia 31 de dezembro de 2018.

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