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Envolvido em uma série de casos de corrupção, banco adquiriu terreno de amigo de Lula em 2012 como pagamento de uma dívida; Bumlai está preso por corrupção passiva e gestão fraudulenta

José Carlos Bumlai, preso durante a operação Lava Jato, cedeu terreno ao BTG Pactual para pagar uma dívida
Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados - 1.12.15
José Carlos Bumlai, preso durante a operação Lava Jato, cedeu terreno ao BTG Pactual para pagar uma dívida

Frequentemente envolvido nos maiores casos de corrupção do Brasil nos últimos anos, o Banco BTG Pactual tem uma relação curiosa com o engenheiro e pecuarista José Carlos Bumlai, que foi condenado por corrupção passiva e gestão fraudulenta após investigações da Operação Lava Jato.

Em 2012, o banco de investimentos, que jamais havia comprado uma propriedade rural, adquiriu a Fazenda Cristo Rei localizada no Mato Grosso do Sul e que pertencia a Bumlai. José Carlos Bumlai comprou a área em julho de 2001 no valor de R$ 4,03 milhões. Depois de 11 anos, a propriedade foi vendida para o BTG Pactual pelo valor de R$ 76,2 milhões pagos à vista para Bumlai e os quatro filhos dele, Maurício, Fernando, Guilherme e Cristiane.

As circustâncias da compra da fazenda levantaram suspeitas da Força Tarefa da Lava Jato e da Procuradoria-Geral da República que pediram a prisão de André Esteves. De acordo com os investigadores, esse foi o primeiro pedaço de terra que o banco tomou posse, o que tornou a transação atípica, e entrou como pagamento de uma dívida de Bumlai. A venda da propriedade ainda foi citada por Delcídio do Amaral. Em sua delação premiada, o ex-senador citou esquemas de superfaturamento mediados or Bumlai, um deles seria o da fazenda.

Poucos anos depois, em 24 de novembro de 2015, o pecuarista foi preso durante investigações da Operação Lava Jato. Exatamente um dia depois, foi a vez de André Esteves, ex-CEO do BTG Pactual. Enquanto Bumlai segue encarcerado, condenado por corrupção passiva e gestão fraudulenta, Esteves está livre e atua como sócio-senior do BTG.

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Notório amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai teria sido responsável pela reforma do famigerado sítio em Atibaia atribuído ao petista. Segundo o pecuarista, Lula também frequentou a Fazenda Cristo Rei, onde pescava ao lado de Bumlai.

Esteves, Bumlai e Lula chegaram a virar réus juntos. Em 28 de julho de 2016 o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília denunciou o trio e mais quatro pessoas, entre elas o ex-senador Delcídio do Amaral, por tentativa de obstrução da Lava Jato

Outras casos envolvendo o Banco BTG Pactual

O Banco BTG Pactual é uma figurinha carimbada nos maiores casos de corrupção dos últimos anos. Além da estranha compra da fazenda de Bumlai, o banco já foi condenado por inside trading,  e já chegou a ter uma cassação recomendada pelo Banco Central, mas acabou se livrando ao pagar uma multa.

O banco de investimentos também tem um histórico com a JBS, cujos donos Wesley e Joesley Batista abalaram o Brasil por meio de uma delação premiada que implicava, entre outros nomes, o presidente Michel Temer e o senador mineiro Aécio Neves. O BTG sempre recomendou investimentos na empresa frigorífica que, meses antes da delação de seus donos, foi uma das denunciadas na Operação Carne Fraca.

Em outra "coincidência", pipocam acusações de que a JGP, gestora de recursos fundada por ex-diretores e sócios do BTG Pactual, ter se utilizado de informações privilegiadas da delação de Joesley Batista, uma vez que a   empresa foi a única, além da própria JBS, a conseguir lucrar logo após o estouro do escândalo.

O banco também financiou a lua de mel de Aécio Neves, em 2013.  O tucano e sua esposa, Letícia Weber, ficaram no luxuoso Hotel Waldorf Astoria, em Nova Iorque. Na época, Aécio negou que a viagem tenha sido um presente de lua de mel, e afirmou que havia sido convidado dois meses antes para dar uma palestra para investidores estrangeiros.

Quem é André Esteves?

Ex-CEO do Banco BTG Pactual, André Esteves é outro que teve seu nome citado diversas vezes em delações. O banqueiro, que já figurou como um dos 70 maiores bilionários do Brasil segundo a revista Forbes, chegou a ser preso em 2015 pela Operação Lava Jato.

Após ser revelado que Esteves articulava, junto com Delcídio do Amaral, um plano de fuga para o ex-executivo da Petrobras, Nestor Cerveró, que iria do Brasil com destino a Espanha, o executivo foi detido em novembro de 2015.  Segundo a investigação, Esteves temia que Cerveró envolvesse o BTG em sua delação, e teria oferecido, além do plano de fuga, propina ao ex-executivo.  

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O banqueiro ficou cerca de um mês encarcerado em Bangu 8, mas acabou tendo prisão domiciliar decretada pelo então ministro do STF, Teori Zavascki. Na investigação, Esteves foi acusado de pagar mais de R$ 100 milhões em propina para o ex-presidente Fernando Collor.

André Esteves voltou a ter seu nome citado durante a Operação Conclave, que investiga a aquisição do Banco Panamericano. Em abril deste ano, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira pediu a quebra o sigilo bancário e fiscal de Esteves.

Longe das aparições públicas desde sua prisão em 2015, André Esteves ressurgiu na mídia na última semana. O banqueiro foi flagrado na primeira fileira de uma palestra de João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo, em Nova Iorque.

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