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Junto a Cabral, outras seis pessoas foram denunciadas pelo MPF nesta terça-feira; esquema que fraudava contratos chegou a movimentar R$ 16 milhões

Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral prestou na última quinta-feira o seu primeiro depoimento no âmbito da Lava Jato
Reprodução/TV Globo
Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral prestou na última quinta-feira o seu primeiro depoimento no âmbito da Lava Jato

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) foi denunciado, nesta terça-feira (16), pelo Ministério Público Federal (MPF), junto com outras seis pessoas investigadas na Operação Fatura Exposta, pelo crimes de corrupção passiva e ativa.

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Sérgio Cabral e os demais réus também são acusados de organização criminosa por irregularidades cometidas na Secretaria de Estado de Saúde, entre 2007 e 2014. 

Além do ex-governador fluminense, são acusados pela força-tarefa da Lava Jato no Rio César Romero, Carlos Miranda, Carlos Bezerra, Sérgio Côrtes, Miguel Iskin e Gustavo Estellita, por pagar ou receber propina para fraudar contratos da área da Saúde, em valores que chegam a R$ 16 milhões.

Operação Fatura Exposta

A operação foi deflagrada no dia 11 de abril. Na época, Côrtes, Iskin e Estellita foram presos pela Polícia Federal e levados para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio.  Na unidade, os suspeitos cumprem o mandado de prisão preventiva, determinada pela Justiça Federal.

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Os três foram presos acusados de corrupção na venda de insumos e materiais para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na época em que Côrtes dirigia a entidade.

Segundo a PF, o esquema, que envolvia superfaturamento, sonegação de impostos e pagamentos de propina , continuou quando Côrtes assumiu a Secretaria Estadual de Saúde, durante o governo de Cabral.

De acordo com o MPF, Côrtes receberia 2% de contratos firmados para aquisição de equipamentos e próteses. O ex-governador ficaria com mais 5%, que renderam a Cabral ao menos R$ 16,4 milhões no período investigado. O percentual que era desviado chegava a 10% dos contratos, com recursos destinados também a operadores do esquema, servidores públicos e ao Tribunal de Contas do Estado.

Os pagamentos eram depositados em uma conta no exterior, pertencente ao empresário Miguel Iskin. A investigação rastreou que, recentemente, Iskin tentou repatriar R$ 70 milhões. Ele é o dono de empresas fornecedoras de equipamentos e próteses ao estado do Rio e ao Into e também é suspeito de comandar um cartel internacional para assumir contratos abertos em pregões eletrônicos.

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De acordo com a investigação, por meio dos pregões, a quadrilha de Sérgio Cabral chegava a arrecadar 40% dos contratos internacionais, acrescentando nos custos o valor de tributos que não precisavam ser pagos na importação.

* Com informações da Agência Brasil.

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