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Afirmações foram feitas pelos marqueteiros João Santana e Mônica Moura; verba não declarada bancou cabeleireiro da petista e o perfil Dilma Bolada

Defesa de Dilma Rousseff nega as acusações e diz que o casal de marqueteiros prestou falso testemunho à Justiça
Reprodução/Facebook
Defesa de Dilma Rousseff nega as acusações e diz que o casal de marqueteiros prestou falso testemunho à Justiça

Os empresários João Santana e Mônica Moura, responsável pelas ações de marketing das últimas três campanhas presidenciais do PT, afirmaram aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato que a ex-presidente Dilma Rousseff deu sua garantia pessoal de que os pagamentos pelos serviços na campanha à reeleição de 2014, incluindo recursos “por fora”, seriam realizados em dia.

Os depoimentos feitos pelo casal e que integram os acordos de delação premiada tiveram o sigilo judicial retirado  nesta quinta-feira (11) pelo ministro Edson Fachinm relator das ações da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal). Eles disseram ter combinado diretamente com Dilma Rousseff , em 2014, o pagamento de R$ 35 milhões não declarados à Justiça Eleitoral.

O anexo 9 da delação premiada de João Santana relata que, em junho de 2014, em uma conversa ocorrida no Palácio da Alvorada, a então presidente “empenhou sua palavra” ao marqueteiro, dizendo que “que já tinha equacionado tudo, que os valores que seriam pagos por fora já estavam garantidos e que dessa vez os pagamentos sairiam mais rápido”.

O empenho pessoal da petista foi necessário após o casal reclamar de atraso e inadimplência no pagamento de recursos via caixa dois durante a campanha de 2010, quando receberam R$ 15 milhões não declarados, segundo contaram.

Segundo consta na delação, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, definiu que Santana e Mônica receberiam R$ 70 milhões de modo declarado e outros R$ 35 milhões por meio de caixa dois. Dos recursos ilícitos, somente R$ 10 milhões teriam sido depositados em contas na Suíça, por meio da empreiteira Odebrecht . Restaram, portanto, R$ 25 milhões a título de dívida.

Outro trecho da delação diz que, após a campanha e com a permanência dos atrasos por mais de dois anos, Mônica Moura aproveitou de algumas situações para cobrar a dívida da então presidente. “Isso se deu em conversas particulares entre as duas, nos intervalos de gravações de pronunciamentos oficiais que João Santana dirigia, no Palácio da Alvorada.”

“A presidente sempre se dizia disposta a ajudar e, desde o início, tinha pleno conhecimento de que a Odebrecht ficara responsável pelo pagamento, não oficial, de R$ 35 milhões”, acrescenta o texto.

Despesas pessoais

O casal afirmou que a petista teve despesas pessoais, como cabeleireiro e camareira, pagas pelo casal de publicitários, quando já ocupava o Palácio do Planalto, em 2010. Segundo os marqueteiros, após ter vencido a primeira eleição, um assessor da então presidente pediu a Mônica que pagasse R$ 4 mil por mês, durante um ano, para sua camareira pessoal, que a acompanhava a todo momento para cuidar de seu cabelo e maquiagem.

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Em depoimento, Mônica relatou também ter pago, em 2010 e em 2014, os serviços do cabeleireiro Celso Kamura. Os pagamentos foram feitos em dinheiro. Cada diária do profissional custava R$ 1,5 mil. Foram pagos, no total, R$ 50 mil.

Dilma Bolada

O documento diz ainda que, segundo o casal, o publicitário Jefferson Monteiro recebeu de Mônica Moura, em meio à campanha pela reeleição de Dilma em 2014, R$ 200 mil reais em espécie, provenientes de recursos de caixa dois, para que mantivesse sua página satírica “Dilma Bolada” no ar. O perfil nas redes sociais ficou conhecido por promover a imagem da ex-presidente de forma bem-humorada.

O pagamento teria sido feito a pedido do ex-ministro Edinho Silva, à época tesoureiro da campanha. Por meio de seu perfil no Facebook, Monteiro negou as afirmações. Ironizando as acusações sobre supostos recebimentos que teriam sido direcionados a ele, o publicitário afirmou: "Alguém, por gentileza, me avisa onde que tenho que retirar a quantia porque estou com o aluguel atrasado e o telefone cortado", escreveu.

Outro lado

A assessoria de imprensa de Dilma criticou a demora na retirada do sigilo das delações. Em nota à imprensa, disse que o casal prestou "falso testemunho e faltou com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores". Segundo o texto, o atraso prejudicou a defesa na ação do Tribunal Superior Eleitoral que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, já que as alegações finais da petista já foram encaminhadas ao relator do caso, ministro Herman Benjamin.

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"A defesa foi prejudicada pela negativa do relator. Não foi possível cotejar os depoimentos prestados pelo casal à Justiça Eleitoral e na Lava Jato. Agora mesmo, os depoimentos são entregues à imprensa, mas não repassados oficialmente à defesa da presidente eleita", disse a assessoria, complementando que Dilma Rousseff "acredita" na Justiça e que a verdade "virá à tona e será restabelecida".


* Com informações da Agência Brasil

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