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Marcelo Camargo/Agência Brasil - 29.11.16
Produção de peças publicitárias para o Banco do Brasil renderá contrato de R$ 500 milhões por ano a três agências

A luz amarela que aponta para suspeitas de corrupção está mais uma vez acesa sobre uma empresa pública brasileira. O alvo desse ingrato holofote agora é o Banco do Brasil, que promoveu concorrência de lisura duvidosa para contratar agências de publicidade que receberão R$ 500 milhões ao ano.

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Reportagem publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo mostrou que, quatro dias antes de a divulgação do resultado oficial da licitação, vencida pela agência Multisolution, o próprio jornal havia antecipado que esse seria o desfecho da concorrência do Banco do Brasil .

O valor a ser pago pelo gerenciamento da produção de peças publicitárias para o banco estatal faz desse edital a concorrência mais cara já promovida pelo governo Temer. E as suspeitas de que o destino desse caminhão de dinheiro tenha sido escolhido de modo irregular exigem do presidente uma atitude firme: determinar a realização de uma nova licitação e apurar toda e qualquer eventual falcatrua ocorrida neste processo.

As investigações da Operação Lava Jato estão aí para nos lembrar que fraudes e esquemas envolvendo falsas concorrências para faturar contratos com empresas estatais são uma situação corriqueira neste País. E que não pode mais ser admitida.

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Entenda o caso

Até o resultado desta concorrência, a Multisolution jamais havia assinado um contrato com o setor público. E o ineditimismo não se deu por falta de interessados no edital, já que outras 14 agências estavam na disputa: Agnelo Pacheco, Artplan, Calia/Y2, Dentsu Latin, America Propaganda, Fields Comunicação, Heads Propaganda, J. Walter Thompson, Lew Lara/TBWA, Lua Propaganda, Master, PPR, Nova/SB e Z+.

Essas duas últimas empresas (Nova/SB e Z+) ficaram em segundo e em terceiro lugar, respectivamente, e também devem dividir o contrato com a vencedora Multisolution.

No modelo de concorrência adotado para essa contratação, o vencedor seria definido conforme avaliação das propostas feitas por uma comissão formada por funcionários do Banco do Brasil que atuam nas áreas de comunicação, publicidade ou marketing, e por pessoas de fora da empresa. No presente caso, esses avaliadores externos foram um integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e outro da Embratur.

Antes mesmo de a Folha revelar a possível falcatrua acerca do edital, a agência NBS (uma das participantes), havia anunciado que iria recorrer contra o resultado, conforme informações do meio&mensagem . A empresa havia se classificado em terceiro lugar, mas acabou sendo desqualificada após a comissão do BB anunciar uma correção do resultado.

Procurada pela reportagem do iG , o Banco do Brasil informou que o processo de escolha da empresa vencedora ainda não está finalizado e "obedece rigorosamente a legislação". O banco também anunciou que irá, já nesta quarta-feira (26), publicar todas as propostas técnicas que foram apresentadas na licitação.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada pelo BB:

"I – O processo de licitação para escolha das novas agências de publicidade não está finalizado e obedece rigorosamente a legislação. A definição das classificadas seguiu critérios técnicos, conforme parâmetros previstos em edital público.

II – Para que não pairem dúvidas, o Banco do Brasil, tão logo tomou conhecimento da reportagem, iniciou auditoria interna para apuração das notícias divulgadas, cujo resultado será determinante para finalização da licitação. O Banco do Brasil não hesitará em adotar qualquer outro procedimento que julgar necessário.

III– De forma transparente, nesta quarta-feira (26), o Banco do Brasil dará publicidade a todas as propostas técnicas que foram apresentadas na licitação, junto com as respectivas notas atribuídas pela comissão responsável pela avaliação, o que possibilitará a verificação de todo o processo por qualquer interessado.

IV – Além disso, o Banco do Brasil está à disposição dos órgãos de Controle, tendo já contatado o TCU (Tribunal de Contas da União) a fim de prestar esclarecimentos que aquela Corte julgue necessários."

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