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Ele e a esposa, Mônica Moura, participaram das últimas campanhas do PT e são testemunhas na ação que pede a cassação da chapa de Dilma e Temer

João Santana prestou depoimento em ação sobre a prestação de contas da chapa Dilma-Temer em 2014
Reprodução/TV Brasil
João Santana prestou depoimento em ação sobre a prestação de contas da chapa Dilma-Temer em 2014

O casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que participou das últimas campanhas presidenciais do PT, prestou depoimento nesta segunda-feira (24) na sede do TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia). Após cerca de cinco horas no local, eles foram embora sem dar entrevistas.

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Segundo informações publicadas pelo jornal “ Folha de S.Paulo” , o casal confirmou no depoimento a informação de que Dilma sabia da existência de caixa dois na campanha em 2014. Eles afirmaram que encontraram com a ex-presidente em duas ocasiões naquele ano para, no entendimento deles, tratar sobre repasses não efetuados. João Santana e Mônica Moura ressaltaram, entretanto, que o termo “caixa dois” não chegou a ser mencionado.

Ainda de acordo com o jornal, Mônica relatou uma reunião que o casal teve com Dilma no fim de 2014, na qual a petista teria perguntado se a offshore que receberia os recursos não contabilizados estava protegida contra as investigações da Lava Jato. Os marqueteiros  teriam combinado que receberiam R$ 35 milhões por meio do caixa dois.

A audiência foi transmitida por videoconferência a membros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mesmo com a presença do ministro Herman Benjamin, relator do processo que se dirigiu a Salvador somente para a oitiva das testemunhas. Mônica Moura e João Santana são testemunhas em ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, que venceu as eleições em 2014. O casal foi responsável pelo marketing da campanha.

Mônica Moura foi a primeira a falar e depôs durante quase três horas. Já a oitiva de João Santana durou cerca de duas horas. O casal chegou ao TRE, acompanhado por seus advogados, por volta das 9h de hoje, em um veículo de luxo que ficou estacionado na área destinada a veículos de funcionários do tribunal, para evitar contato com a imprensa.

Processo

As contas da campanha da chapa Dilma-Temer foram aprovadas pelo TSE por unanimidade, embora com ressalvas, dezembro de 2014. Pouco depois, o PSDB entrou com uma ação de investigação para apurar eventual abuso de poder econômico e político pela chapa vencedora. O processo foi protocolado pelo segundo colocado na eleição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que hoje integra a base do presidente Michel Temer .

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Em caso de condenação, o TSE pode tornar inelegíveis tanto Dilma Rousseff como Michel Temer, que pode ainda ser afastado da Presidência da República.

A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. A defesa de Temer sustenta que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos.

Caixa dois

No dia 18, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, João Santana e Mônica Moura afirmaram que receberam recursos não declarados da empreiteira Odebrecht  para as campanhas eleitorais dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo informações publicadas pelo jornal “ Folha de S.Paulo ”, o contato era mediado pelo ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci, que está preso em Curitiba – também por envolvimento em irregularidades no âmbito da Lava Jato .


* Com informações da Agência Brasil