Tamanho do texto

Procurador-geral não pretende assumir terceiro mandato; Temer quer evitar desgaste político e busca nome "menos afinado" com Operação Lava Jato, especialmente por investigações de oito ministros, segundo informa jornal

Caso não apareça um nome “aceitável” para ocupar a vaga, pode haver pressão para que Janot continue até 2019
Marcelo Camargo / Agência Brasil - 11.11.2016
Caso não apareça um nome “aceitável” para ocupar a vaga, pode haver pressão para que Janot continue até 2019

Rodrigo Janot já afirmou que não quer assumir um terceiro mandato no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) por causa de um acordo com a família de se aposentar em março do ano que vem. Por isso, Michel Temer avalia as possibilidades de nomes para ocupar o cargo a partir de setembro.

Leia também: Léo Pinheiro, da OAS, apresentará provas contra o ex-presidente Lula

Segundo o jornal Folha de S. Paulo , o desejo do presidente é encontrar alguém ligado a Janot , para que seja transmitida uma ideia de “continuidade” nos trabalhos da Operação Lava Jato, evitando qualquer desgaste político.

Isso porque o comandante do órgão é responsável pelo ritmo das investigações de políticos com foro privilegiado na Operação Lava Jato. Estes, por sua vez, são anteriormente denunciados pela PGR para que sejam julgados no Supremo Tribunal Federal.

Um dos pontos mais sensíveis, segundo auxiliares de Temer admitiram ao jornal, é o andamento das investigações acerca de oito ministros do governo. Desse modo, um nome próximo ao procurador daria “previsibilidade” ao assunto.

Leia também: Michel Temer diz que casos de corrupção não irão paralisar o País

No Planalto, o nome do secretário-geral da PGR Blal Dalloul é um perfil vislumbrado. Porém, isso é visto com desconfiança por procuradores, uma vez que ele não se declara pré-candidato e nunca teria mostrado intenção de concorrer ao cargo. Assim, existe um discurso de que, como procurador regional, Dalloul teria dificuldades na disputa. Em contrapartida, já existe um discurso de que Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa eram procuradores regionais quando nomeados ao STF, o que daria legitimidade a um procurador-geral da República de mesma origem.

O presidente deu indícios de que respeitará a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República, que faz uma votação interna e entrega os três mais votados à Presidência da República que, por sua vez, indica o nome para os próximos dois anos ao Senado Federal. Desde 2003, porém, o primeiro nome dessa lista não é o indicado necessariamente.

Leia também: Odebrecht repassou R$ 37 milhões em caixa 2 às campanhas do PT, PSDB e PSC

Até agora, seis subprocuradores são pré-candidatos ao cargo: Nicolao Dino, Mario Bonsaglia, Raquel Dodge, Ela Wiecko, Carlos Frederico e Sandra Cureau.

Ainda de acordo com a Folha de S. Paulo , assessores de Temer afirmam que, caso não apareça um nome “aceitável” para ocupar a vaga, pode haver pressão para que Rodrigo Janot continue até 2019. Para integrantes do Ministério Público, o governo está interessado em buscar um nome menos afinado com a Operação Lava Jato, e com o atual procurador-geral, para tentar enfraquecer as investigações.