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Relator da Operação Lava Jato, Teori trabalhou em pelo menos dez dos 77 documentos de executivos que chegaram ao Supremo Tribunal Federal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, falecido em acidente de avião em Paraty nesta quinta-feira (19), estava trabalhando no período de recesso para analisar os acordos de delação premiada dos executivos da Odebrecht. Relator da Operação Lava Jato, Teori havia trabalhado em pelo menos dez dos 77 documentos que chegaram à Corte em dezembro.

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O ministro tinha autorizado para a semana que vem os depoimentos de confirmação dos depoimentos dos delatores. Em sua última entrevista antes do acidente, no dia 19 de dezembro, Teori Zavascki disse que iria trabalhar durante o recesso para analisar os depoimentos. "Vamos trabalhar. Nós vamos seguir, não examinei o material, mas vamos seguir o que a lei manda. Em face dessa excepcionalidade, nós vamos trabalhar", disse o ministro lembrando do vazamento de trechos da delação da Odebrecht .

Ministro do STF, Teori Zavascki, esperava chegar a uma decisão final sobre a aceitação dos acordos até o fim do recesso
Dorivan Marino/STF - 26.2.15
Ministro do STF, Teori Zavascki, esperava chegar a uma decisão final sobre a aceitação dos acordos até o fim do recesso

A previsão do ministro e de juízes que integravam a equipe de trabalho era chegar a uma decisão final sobre a aceitação dos acordos na primeira semana de fevereiro, quando a Suprema Corte retorna aos trabalhos. Ao anunciar os trabalhos durante o recesso, o ministro do STF classificou como "lamentáveis" os vazamentos de delações de executivos da empreiteira antes do envio ao Supremo pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Uma das delações vazadas era do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. O documento citava o presidente da República, Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros deputados e senadores.

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Outro depoimento era o de Marcelo Odebrecht, condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses por crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em sua delação, o executivo citou nomes de políticos para quem ele fez doações de campanha, que teriam origem ilícita.

O acidente

O avião caiu no mar de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente foi próximo à Ilha Rasa. O avião saiu de São Paulo e caiu a 2 km de distância da cabeceira da pista. De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), além de Teori Zavascki, outras três pessoas estavam a bordo. Entre elas, estavam o proprietário do avião, Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69 , e o piloto, Osmar Rodrigues, 56. Na hora do acidente, chovia forte em Paraty e a região estava em estágio de atenção.