As primas Emilly (de óculos) e Rebecca foram atingidas pelo mesmo tiro de fuzil
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As primas Emilly (de óculos) e Rebecca foram atingidas pelo mesmo tiro de fuzil

Foram decretadas nesta sexta-feira (5) as prisões preventivas de Leandro Santos Sabino, vulgo Trem, e Lázaro da Silva Alves, conhecido como Mestre, pelo assassinato de Emily Victoria da Silva Moreira dos Santos, de 4 anos, e Rebecca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7. As crianças foram mortas a tiros, no dia 4 de dezembro de 2020, na Comunidade do Sapinho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio, enquanto brincavam na porta de casa. O decreto foi publicado após pedido da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada dos Núcleos Duque de Caxias e Nova Iguaçu do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

De acordo com o MP, os tiros que atingiram as duas meninas foram disparados por homens ainda não identificados que atuavam como vigias da região de atuação dos denunciados. Eles teriam avistado uma viatura da Polícia Militar circulando em local próximo, na Av. Gomes Freire e, seguindo determinações e ordens dos denunciados, para proteger o seu território e com intenção matar os integrantes da viatura, efetuaram disparo de arma de fogo. Por erro na execução, os tiros atingiram Emily e Rebecca. Leandro Santos Sabino e Lázaro da Silva Alves foram denunciados por associação para o tráfico e dois homicídios duplamente qualificados.

O laudo pericial elaborado a partir do exame de reprodução simulada concluiu que não foram encontrados indícios de disparo de arma de fogo pelos Policiais Militares envolvidos. Com isso, a Justiça arquivou o inquérito que apurava a participação dos policiais sargento David Guilherme de Paula Vieira, sargento Valter Sobreira dos Santos Filho, subtenente Geraldo Dias Soares, sargento Marcelo Luiz Teixeira Rey e sargento Davson Patrício de Souza.

Emily Victoria, de 4 anos, e Rebecca Beatriz, de 7, brincavam na calçada de casa, no Barro Vermelho, em Gramacho, durante um intenso tiroteio. Na época, a avó de Rebecca e tia de Emilly, Lídia da Silva Moreira Santos contou que viu policiais atirarem da viatura em direção à rua e que não houve confronto com criminosos. Segundo ela, a mesma bala atingiu as duas crianças.

"Estava chegando do trabalho, por volta das 20h30, e quando desci do ônibus começaram os disparos.A rua estava cheia de crianças e pessoas chegando do serviço. Tinha uma viatura Blazer da PM parada em frente à rua e fizeram uns dez disparos de fuzil. Quando os policiais foram embora, atravessei e vi a Emilly atingida na cabeça, já sem vida. Depois minha nora veio gritando dizendo que tinham matado a Rebecca também. A mesma bala que pegou a Emilly atingiu o coração da Rebecca. Ela deu uns passos e caiu no quintal. Quando vi que ainda estava respirando, corri para a UPA de Sarapuí, mas já era tarde".

Por nota, na ocasião, a Polícia Militar havia negado que os policiais tenham feito disparos. De acordo com a PM, uma equipe policial do 15º BPM (Duque de Caxias) estava em patrulhamento na Rua Lauro Sodré, altura da comunidade do Sapinho, quando disparos de arma de fogo foram ouvidos. "Não houve disparos por parte dos policiais militares. A equipe seguiu em deslocamento. Posteriormente, o batalhão foi acionado para verificar a entrada de duas pessoas feridas na UPA Caxias II (Sarapuí). No local, o fato foi constatado e tratavam-se de duas crianças", dizia a nota.

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