O democrata Jamie Raskin, que integra a Comissão Parlamentar que investiga a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos
Reprodução: Twitter - 29/07/2022
O democrata Jamie Raskin, que integra a Comissão Parlamentar que investiga a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos

O deputado dos Estados Unidos Jamie Raskin disse estar “muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil”, ao comentar sobre as ameaças ao processo eleitoral brasileiro . Membro da Comissão Parlamentar do Congresso americano que investiga a invasão ao Capitólio, em janeiro do ano passado, o parlamentar afirmou temer que o  presidente Jair Bolsonaro (PL) repita, nas eleições deste ano, o que Donald Trump fez em seu país em 2020, quando tentou sabotar o processo eleitoral no qual saiu derrotado.

"Estou muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil porque é algo que pode se tornar muito similar ao que nós vivemos no 6 de janeiro [nos EUA]. Bolsonaro é um grande admirador de Donald Trump e dos amigos dele. Nós sabemos que ele tem se envolvido com Steve Bannon, que, claro, é um assessor político chave para Trump, e já o era antes do 6 de janeiro, aqui. A extrema direita ao redor do mundo vem mostrando um massivo desrespeito pela democracia constitucional e pelas instituições", disse Raskin, que pertence ao Partido Democrata.

Ainda segundo o deputado, as críticas públicas de Bolsonaro à segurança do processo eleitoral no Brasil, com o que Raskin chamou de “mentiras a respeito disso”, poder ser um prelúdio “de uma tentativa de atacar o processo eleitoral ou de colocar-se à margem desse processo, caso perca”.

"Essa é uma marca típica de partidos fascistas, que não aceitam o resultado de processos eleitorais quando perdem. Eles acabam incentivando a violência, o que piora a situação. Eu quero ter certeza de que os EUA vão se colocar de forma muito forte ao lado das instituições democráticas no Brasil", completou o parlamentar americano.

A declaração foi dada durante audiência com membros de uma comitiva de 19 representantes de organizações da sociedade civil brasileira que estão em Washington, entre 24 e 29 de julho, em viagem organizada pelo WBO (Washington Brazil Office).

O objetivo é alertar interlocutores americanos sobre as ameaças ao processo eleitoral no Brasil, e pedir que, de forma uníssona, reconheçam o resultado do pleito brasileiro em outubro, seja quem for o vencedor, para evitar qualquer tentativa de golpe de Estado.

Na comissão parlamentar que investiga a invasão do Capitólio, estimulada à época por Trump, um dos próximos passos será justamente entender os laços internacionais da extrema direita americana. Para Raskin, a América deve cumprir seu papel de apoio às instituições democráticas e às eleições no mundo todo”.

Também em encontro com a comitiva de organizações brasileiras, o senador americano Bernie Sanders disse que os relatos sobre as ameaças ao pleito no Brasil “infelizmente soam muito familiares” por causa dos esforços de Trump “para minar a democracia americana”.

"Não estou surpreso que Bolsonaro esteja tentando fazer o mesmo no Brasil. Esperamos muito que o resultado das eleições seja reconhecido e respeitado, e que a democracia prevaleça, de fato, no Brasil", disse o senador.

A comitiva, formada por organizações como a “Transparência Internacional Brasil”, o “Instituto Vladimir Herzog”, o “Greenpeace Brasil” e o “Grupo Prerrogativas”, também foi recebida pelo Departamento de Estado americano e pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, além de outros encontros com parlamentares e organizações da sociedade civil em Washington.

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