Pastilhas de uranio
Reprodução/CPG Click Petróleo e Gás 12.4.2022
Pastilhas de uranio

Na última sexta-feira (8), a Polícia Civil apreendeu aproximadamente 1kg de um material ofertado por dois homens como urânio. Ambos os suspeitos foram presos em uma casa em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Os dois homens afirmaram aos policiais que iriam fazer a venda por meio da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

De acordo com Demerval Rodrigues, coordenador de Segurança Nuclear, Radiológica e Física do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares), amostras do material detido foram encaminhadas para análise em laboratório.

A denúncia 

Na sexta-feira (8), um trabalhador da área de metais e minerais, foi até o 3º DP de Guarulhos afirmando ter recebido uma proposta para comprar, ilegalmente, "material radioativo".

O denunciante viu, pelas mensagens trocadas com o anunciante, que o suposto oferecido seria urânio.

O autor da denúncia também disse que os suspeitos propuseram vender o material "utilizado para dispositivos bélicos", de acordo com registros policiais, por US$ 90 mil o quilo (cerca de R$ 422 mil).

Além disso, ele afirmou que a dupla disse que teria um quilo do produto disponível como amostra, mas que no total tinham em estoque cerca de duas toneladas do material.

Dois policiais consideraram as informações e foram até uma uma casa no bairro Vila Barros, por volta das 14h30. Lá eles encontraram e conversaram com um dos suspeitos, de 34 anos, natural do Acre.

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O homem, segundo registros do 3º DP, convidou os policiais para entrarem no imóvel e vissem a suposta amostra de urânio, sem desconfiar que eles eram investigadores.

Já na casa, os policiais encontraram o segundo suspeito, um operador de máquinas de 41 anos, que estava mexendo com pedras "que realmente tinham aparência idêntica ao metal urânio em estado bruto", afirma trecho do relato dos agentes.

Os investigadores também apreenderam um documento que indicaria a legitimidade do mineral, além de prender os suspeitos. Com isso, o Ipen foi acionado, para analisar o material.

O suspeito de 41 anos disse que trouxe o urânio do Acre para São Paulo e que receberia R$ 10 mil pelo serviço. Já o outro homem, de 34 anos, afirmou que o PCC teria financiado sua viagem de Rondônia até São Paulo para comercializar o material.

Ambos os suspeitos foram detidos com base na lei federal 6.453, de outubro de 1977, que proíbe "produzir, processar, fornecer ou usar material nuclear sem a necessária autorização ou para fim diverso do permitido em lei", com pena de 4 a 10 anos de prisão.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou nesta segunda (11), que o caso seria encaminhado à Justiça Federal que, por sua vez, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não localizou nenhum processo sobre o caso.

O Ministério Público Federal também afirmou não ter sido acionado para acompanhar desdobramentos da ocorrência, até o momento.

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