Primeira Audiência de Instrução e Julgamento do caso Henry Borel
BRUNNO DANTAS-TJRJ
Primeira Audiência de Instrução e Julgamento do caso Henry Borel

A continuação da audiência de instrução e julgamento do processo que apura a morte de Henry Borel Medeiros , aos 4 anos, acontecerá nos dias 14 e 15 de dezembro. Na ocasião, serão ouvidas no plenário do 2º Tribunal do Júri, no Fórum do Rio, as 50 testemunhas arroladas pelos advogados da professora Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino, e do médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, então padrasto de Henry. O ex-casal está preso desde 8 de abril pelos crimes de tortura e homicídio triplamente qualificado contra a criança, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.

A primeira parte da audiência, na última quarta-feira, durou 14 horas. Prestaram depoimento diante da juíza Elizabeth Machado Louro, do promotor Fábio Vieira e do assistente de acusação Leniel Borel de Almeida, pai de Henry, dois delegados e um inspetor da Polícia Civil responsáveis pelas investigações na 16ª DP (Barra), além de sete testemunhas selecionadas pelo Ministério Público.

Monique, de calça jeans, moletom branco de manga comprida, chinelos e máscara de proteção, esteve entre os advogados Hugo Novais e Thiago Minagé durante quase todo o tempo. Com os cabelos presos em uma trança e unhas curtas pintadas de esmalte nude, ela manipulava as mais de mil páginas do processo, fazia anotações e comentários ao pé do ouvido deles durante os depoimentos.

Já Jairinho, que, a pedido de seu advogado Braz Sant’Anna, participou por videoconferência de uma sala do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu, acompanhou a audiência vestindo camisa social branca e calça jeans.

Primeiro a falar, Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP, respondeu perguntas por três horas e 21 minutos. Ele contou que, ao serem ouvidos na delegacia após a morte do menino, Monique se mostrou “completamente à vontade”, tendo pedido pizza e tirado selfie, e Jairinho chegou a fazer piadas. O delegado reiterou que as provas mostram que ele bateu diversas vezes em Henry, que Monique tinha conhecimento dessas sessões de violência e que ambos mentiram ao prestar depoimento e também no hospital para onde levaram o menino.

Defensor de Monique: ‘farsa’

No depoimento do delegado Henrique Damasceno, houve atritos entre Thiago Minagé, o depoente e o promotor. A magistrada interveio, disse que o plenário não era circo e pediu, “pelo amor de Deus”, para que o advogado cessasse as discussões.

"Com os depoimentos, ficou demonstrado que o inquérito é uma farsa e vou insistir até a última instância para que seja anulado. A expectativa é que na próxima audiência, enfim, as testemunhas possam dizer aquilo que interessa sobre o fato, contribuindo para corroborar o que a Monique está tentando apresentar. Até agora as falas têm sido extremamente machistas e ofensivas, atacando a pessoa dela e querendo criar uma imagem de mulher infiel, mentirosa e manipuladora. A verdade vai prevalecer", disse o advogado.

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À noite, no depoimento da babá Thayná Ferreira, a professora teve que ir para o corredor, pois a testemunha, que mudou mais uma vez sua versão, argumentou que se sente ameaçada pela ex-patroa. Ela alegou ter sido manipulada por Monique contra Jairinho e negou que soubesse de agressões a Henry. Sobre as mensagens recuperadas em seu celular em que narra que o menino mancava e reclamava de dores após sair do quarto com o padrasto, afirmou não se lembrar do conteúdo.

"A audiência foi proveitosa, confirmando o que demonstra a investigação e fortalecendo meu entendimento que Jairinho agiu por sadismo e Monique por interesse financeiro. E também ficou claro no depoimento da babá que pessoas trocam valores pelos interesses próprios mais escusos possíveis", disse o promotor.

Advogado de Jairinho questiona laudos

São esperadas em dezembro as 29 testemunhas listadas na resposta à acusação pela defesa de Monique, como a mãe e o irmão da professora, e as 21 de Jairinho, como sua ex-mulher e seu pai. O filho mais velho dele, que também seria ouvido, desistiu de participar.

"Nossa expectativa para os próximos passos é boa. Acreditamos que conseguiremos desconstruir a imagem negativa dele e mostraremos através de provas técnicas equívocos do laudo de necrópsia", diz Braz Sant’Anna, que representa o médico.


Os advogados colocam em dúvida a causa e o horário da morte da criança, pontos já questionados na primeira fase da audiência, no depoimento de três médicas do Hospital Barra D’Or. Conforme o laudo do IML, Henry sofreu hemorragia interna e laceração hepática, causada por ação contundente, e seu corpo apresentava 23 lesões.

"A primeira parte da audiência foi exaustiva, porque revivi detalhes do pior dia da minha vida e da violência que meu filho sofreu antes de ser assassinado. Mas continuo esperando que a verdade seja esclarecida a cada audiência e testemunha ouvida", emociona-se Leniel, o pai da vítima.

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