Glaidson Acácio dos Santos
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Glaidson Acácio dos Santos



Conhecido em Cabo Frio, na Região dos Lagos, como sócio de uma empresa que prometia pagamento mensal de 10% de lucro do capital aplicado em criptomoedas, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, de 38 anos, deu uma explicação diferente do que fazia, ao prestar depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca), em 2020. Ao ser ouvido na delegacia, em uma investigação que apurava denúncia de pirâmide financeira e crime de estelionato, Glaidson omitiu sua atuação no mercado de bitcoins.

O ex-garçom afirmou que sua empresa, a G.A.S consultoria e Tecnologia, não atuava com investimentos e sim, entre outras coisas, no ramo de inteligência artificial e carregadores de carros elétricos. Segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, apenas em 2020, a movimentação financeira de Glaidson e de sua empresa foi de R$ 1,5 bilhão.

A informação consta em um relatório da investigação, ao qual O Globo teve acesso, e se contrapõe a um vídeo divulgado pelo próprio Glaidson, dias antes de ser preso, onde ele diz aos clientes atuar há nove anos no mercado, prestando serviços de consultoria de bitcoins.

Os policiais que interrogaram o ex-garçom no dia 17 de setembro de 2020 investigavam uma denúncia anônima, recebida pela ouvidoria do Ministério Público, que o apontava Glaidson, Tunay Pereira Lima e Márcia Pinto, mulher de Tunay, (todos presos pela Polícia Federal no último dia 25) como suspeitos de serem responsáveis por uma pirâmide financeira disfarçada de aplicação em criptomoedas. A captação de clientes para o negócio, segundo a denúncia, seria feita num condomínio comercial da Barra da Tijuca, onde era localizada uma empresa de Tunay.

Em seu depoimento, o ex-garçom disse ser sócio da G.A.S Consultoria e Tecnologia, localizada em Cabo Frio. Na época, ele alegou que a empresa atuava no ramo de inteligência artificial, computação robótica, desenvolvimento de softwares e carregadores de carros elétricos. Também afirmou não ter negócios com Tunay e Márcia. Glaidson disse ainda não ter participado de uma suposta reunião para a criação de uma empresa no ramo de criptomoedas e negou participação em um evento para captar clientes.

O casal Tunay e Márcia foi ouvido na mesma investigação. Eles chegaram a mencionar que pretendiam abrir uma consultoria de bitcoins, mas desistiram por conta das dificuldades de regulaçao do mercado de valores. Após ter ouvido os investigados, a Polícia Civil encaminhou o caso para o Ministério Público estadual do Rio.

Glaidson foi preso no último dia 25 em um condomínio de luxo da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Suspeito de chefiar uma organização criminosa que estaria por trás de supostas fraudes milionárias envolvendo criptomoedas, Glaydson foi detido em um apartamento.

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No local, os policiais encontram cerca de R$ 15 milhões em espécie, entre reais, dólares e euros. Já Tunay e Márcia foram presos em São Paulo. Tunay estava em um aeroporto quando embarcaria para um congresso da G.A.S em Punta Cana, na Republica Dominicana. Eles sã apontados na investigação da Polícia Federal como integrantes da organização criminosa chefiada pela ex-garçom.


Na mesma operação, a PF também recolheu 21 carros de luxo. Um único veículo, uma Lamborghini Urus, vale cerca de R$ 2,5 milhões. O automóvel é, segundo a polícia, indiretamente associado a Glaidson, que teria colocado o certificado de propriedade de todos os carros no nome de terceiros, os chamados "laranjas", com o intuito de não deixar rastros.

De acordo com a Polícia Civil, que também investiga as atividades de Glaidson, o ex-garçom movimentou R$ 7 bilhões entre 2019 e 2020. As cifras bilionárias circularam por contas vinculadas a quatro empresas pertencentes ao suposto investidor.

Duas das companhias têm sede em Cabo Frio, na Região dos Lagos, cidade que ficou conhecida como Novo Egito por conta da fartura de promessas de enriquecimento fácil através de investimentos suspeitos. As outras duas empresas de Glaidson estão cadastradas em Barueri, no estado de São Paulo. Somadas, as quatro companhias têm capital social declarado de mais de R$ 136 milhões.

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