Pastor Tupirani da Hora Lores
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Pastor Tupirani da Hora Lores



A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) instaurou inquérito para apurar os ataques racistas, machistas e homofóbicos feitos pelo pastor Tupirani da Hora Lores , durante um culto na Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, no bairro do Santo Cristo, na zona portuária do Rio. Líder da congregação religiosa, Lores afirmou em cerimônia realizada no começo do mês que a "igreja não levanta placa de filho da puta negro e veado".

Para o pastor Henrique Vieira, as declarações de Lores merecem o repúdio de lideranças religiosas:

"Existe a necessidade de lideranças evangélicas se posicionarem. Acho que isso merece repúdio. O lugar em que isso é dito não é uma igreja. É uma seita fanática, perigosa, não sei onde isso pode dar". 

O discurso do líder da congregação religiosa foi feito em resposta ao pedido de desculpas da pregadora Karla Cordeiro, a Kakau, da Igreja Sara Nossa Terra. Ela havia dito para os fiéis pararem de "ficar postando coisa de gente preta, de gay", em 31 de julho. Após a repercussão do vídeo e da abertura de um inquérito policial, Kakau publicou uma nota de retratação, no dia 3 de agosto.

Dois dias depois, o pastor Lores em discurso na sua igreja, questionou o fato de ela ter voltado atrás depois que "um babaca de um delegado pressiona":

"Sabe o que você é, Karla Cordeiro? Você é uma puta, uma prostituta, seu pastor deve ser um veado e a sua igreja toda é uma igreja de prostitutas. Vocês não são evangélicos. Malditos sejam vocês, que a garganta de vocês apodreça por terem ousado tocar no nome de Jesus, raça de putas e piranhas, é isso que vocês são", 

Na ocasião, Lores afirmou ainda que a igreja não deve levantar bandeiras sobre questões raciais, políticas e de gênero.



"A igreja de Jesus Cristo não levanta placa de filho da puta negro nenhum, não levanta placa de filho da puta de político, não levanta placa de filho da puta de veado. A igreja de Jesus Cristo só levanta a sua própria placa, porra", gritou o pastor no altar

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Vieira ressaltou que o discurso de Lores é contra o evangelho e criminoso:

"Trata-se de uma prática e de um discurso que não têm nenhuma concordância com o Evangelho de Jesus, além de ser um discurso contra o Cristo. Tem também um discurso de ódio. Do ponto de vista bíblico, não tem nada a ver com Jesus. Do ponto de vista da democracia, trata-se de um discurso criminoso que está muito fora da legítima liberdade de se expressar". 

O líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo já foi preso por intolerância religiosa, em 2009. Em março deste ano, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Uma busca e apreensão autorizada pela Justiça buscou encontrar provas que o religioso, em um de seus cultos, pediu por um "massacre" de judeus. Lores desafiou os agentes, no vídeo.

"Manda o delegado vir aqui pedir a minha retratação. Ele não é homem para isso, eu sou vencedor do sistema, ninguém me detém. Eu falo, mando para a puta que pariu e continuo mandando. Manda de novo a (Polícia) Federal dentro da minha casa e vai ver se eu cresço ou diminuo, porra", vociferou o pastor.

Procurado pelo GLOBO, Lores não se manifestou. A pregadora Karla Cordeiro responde a um inquérito na delegacia de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. O caso é conduzido pelo delegado Henrique Pessoa. O policial não comentou o vídeo publicado pelo pastor.

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