ex-cabo da pm miliciano mugão
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Anderson de Souza Oliveira é conhecido como "Mugão"

O ex-cabo da PM Anderson de Souza Oliveira, o Mugão, acusado de ser integrante do Escritório do Crime e atualmente foragido, quer voltar à Polícia Militar do Rio. Desde 2016, ele tenta anular, na Justiça, a decisão que o expulsou da corporação dois anos antes. Mugão foi um dos alvos da operação Tânatos, do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil, que prendeu, na semana passada, integrantes da quadrilha de matadores de aluguel investigada por pelo menos 18 homicídios desde 2004.

Mugão foi expulso da PM em agosto de 2014, acusado de fazer parte do "Bonde do 556", uma milícia que tentava se instalar na favela do Quitungo, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio. O então cabo foi denunciado, numa série de depoimentos à Corregedoria da PM e à Polícia Civil, por seu principal rival na guerra pelo controle da região, o também ex-cabo da PM Márcio Gabriel Simão, o Marcinho do Quitungo. Simão apontou Mugão como o responsável pelo atentado que sofrera em março de 2011 num conjunto habitacional num dos acessos à favela. Na ocasião, seu carro foi fuzilado, mas ele conseguiu sobreviver.

Mugão chegou a responder, na Justiça, por outro assassinato relacionado à guerra de milícias : segundo a denúncia do Ministério Público, o ex-cabo integrava um grupo de homens que saltou de uma Kombi na frente de um bar e fuzilou o cabo Anderson Luiz de Assis Santos, em outubro de 2011. Na ocasião, Marcinho do Quitungo também estava no local e foi ferido. Mugão ficou três anos preso pelo crime.

No entanto, apenas duas semanas após ser excluído da PM , Mugão foi absolvido da acusação do homicídio pelo júri popular, após testemunhas voltarem atrás em seus depoimentos. O MP recorreu da decisão, mas a absolvição foi mantida em segunda instância.

Em 2016, dois anos após ser solto, Mugão entrou na Justiça para voltar à PM, alegando que a acusação que embasou o processo administrativo que o expulsou foi a mesma do processo criminal em que terminou absolvido.

Na época, o ex-PM entrou com o processo para ser reintegrado na Vara Única de Mangaratiba, cujo titular era o juiz Marcelo Borges Barbosa — investigado desde o ano passado pelo Tribunal de Justiça do Rio justamente por beneficiar PMs que tentam retornar à corporação. Apesar de ter ingressado com a ação no município da Costa Verde, Mugão havia afirmado, quando foi ouvido no processo administrativo que o expulsou, que morava na Zona Norte do Rio.

Um levantamento da Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ) mostra que, entre 2015 e 2016, um total de 57 PMs foram reintegrados à PM pelo juiz. Entre os agentes que voltaram à corporação, há policiais suspeitos de ligação com milícias, grupos de extermínio e com a máfia dos caça-níques. Mugão foi um dos agentes beneficiados: em abril de 2016, o juiz Barbosa determinou, em decisão liminar, a reintegração do então ex-PM à corporação.

A decisão de Barbosa, entretanto, foi suspensa cinco meses depois pela 16ª Câmara Cível do TJ, que sustentou que "não se vislumbra aparente ilegalidade" no processo administrativo que expulsou Mugão da PM. Em abril do ano passado, Barbosa declinou da competência para julgar o caso e, hoje, o processo tramita na Auditoria de Justiça Militar .

A Operação Tânatos prendeu, no último dia 30, Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, acusado pelo MP de ter assumido o comando do Escritório do Crime após a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da PM morto durante operação da polícia na Bahia. A ação também terminou com a prisão do irmão de Mad, Leandro Gouvêa da Silva.

Além de Mugão , não foi encontrado o também ex-PM João Luiz da Silva, o Gago. Os dois estão foragidos. Segundo o MP, ambos eram os braços armados da quadrilha de pistoleiros, responsáveis pela vigilância e monitoramento das vítimas.

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