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Poucos dias após a morte da parlamentar do PSOL, a magistrada Marília Castro Neves Vieira, do TJ-RJ, a acusou de ser 'engajada com bandidos'

Anielle falando ao microfone arrow-options
Reprodução/Twitter
Anielle Franco, irmã da deputada assassinada Marielle Franco

Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018, esteve na tarde desta segunda-feira na 9ª Vara Federal Criminal, no Centro do Rio, onde prestou depoimento à Justiça, não sobre a morte da parlamentar, mas sobre uma ação que corre na corte especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) movida pela família contra a desembargadora Marília Castro Neves Vieira, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), que, apenas dois dias após a morte de Marielle, publicou em sua página numa rede social, entre outras coisas, que a vereadora era "engajada com bandidos". Durante a oitiva, Anielle se emocionou.

"Chorei quando me perguntaram se eu lembrava da postagem. É algo que me dá muita raiva ainda, mexe comigo de uma maneira que eu acabei me emocionando. Ela (a desembargadora Marília Castro Neves) diz que minha irmã estava engajada com bandidos, que foi morta por descumprir compromissos assumidos com uma facção criminosa... em 2016, na época da campanha da Marielle, eu sei a luta que foi, dei aulas particulares em vários lugares, mesmo com uma filha de 1 ano, para conseguir ajudar minha irmã. Me emociono muito com essa questão", disse a irmã de Marielle, emocionada.

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Na audiência presidida pelo juiz José Eduardo Nobre Matta, a defesa da desembargadora afirmou que Marília, que será ouvida na manhã desta terça-feira na sede do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), apenas copiou e colou o texto. Durante o depoimento, Anielle foi questionada pelos advogados da magistrada sobre por que teria acionado apenas ela na Justiça.

"A defesa dela (desembargadora Marília Castro Neves Vieira) questionou por que nós só entramos com uma ação contra ela, se vimos outras pessoas que também compartilharam a postagem. É claro que não entramos só contra ela, inclusive acionamos o Facebook para identificar estes usuários, o que está sendo feito aos poucos, mas, é claro, é algo que demanda um tempo", afirmou Anielle.

A magistrada também se envolveu numa polêmica, no mesmo mês, quando fez crítica ao fato de uma professora, Débora Seabra, lecionar tendo síndrome de down. "O que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?", escreveu.

"Ela, principalmente na posição que está, nunca deveria ter feito isso. É uma mulher do Poder Judiciário, já tinha vivido um problema parecido antes no caso da professora. Ela deu margem para outras pessoas disseminarem aquilo também. A gente sempre acha que está preparado para algo desse tipo, mas quando acontece a gente vê que não está", concluiu Anielle.

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A irmã de Marielle Franco diz que, até hoje, recebe mensagens de ódio em suas redes sociais. Para ela, as questões de ideologia política já ultrapassaram o campo da discussão.

"Até hoje, vira-e-mexe quando faço um post no meu Twitter, por exemplo, ainda sou atacada. Fiz um post lamentando mais um dia sem minha irmã outro dia, e ainda tem gente que comenta: "aquela bandida já foi tarde". As ideologias políticas infelizmente já ultrapassaram os valores humanos para muita gente", disse.

'Repassei de forma precipitada'

Na época, em março de 2018, Marília Castro Neves disse ter agido de forma precipitada. "No afã de defender as instituições policiais, ao meu ver injustamente atacadas, repassei de forma precipitada notícias que circulavam nas redes sociais. A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações, para então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema".