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A Humans Right Watch cita porta-voz da Polícia Militar de São Paulo que mencionou vídeos da operação que 'sugerem abuso e ação desproporcional'

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Baile do 17 / Facebook / Arquivo
Jovens foram mortos após tumulto em baile funk de Paraisópolis

A Humans Right Watch , organização internacional dos direitos humanos, divulgou, nesta segunda-feira (2), uma declaração de luto sobre as nove mortes que ocorreram em um baile funk em Paraisópolis , na Zona Sul de São Paulo, após uma ação policial no local. No comunicado, a entidade não-governamental cobra uma investigação rápida, completa e independente do Ministério Público, “que tem a competência e a obrigação constitucional de exercer o controle externo sobre o trabalho da polícia”.

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A nota também cita o dever do Ministério Público do Estado de São Paulo de iniciar a sua própria investigação independente sobre a “motivação, o planejamento e a execução da operação da polícia militar” em Paraisópolis.

Ao longo do texto, a organização cita um vídeo gravado por moradores que mostra policiais encurralando "dezenas de pessoas em uma viela e batendo nelas com cacetetes" e que os violentados "parecem não opor nenhuma resistência, mas estarem apenas tentando sair da área pacificamente".

Confira a íntegra da nota:

A Human Rights Watch se une ao luto pela morte de 9 pessoas, incluídos 4 adolescentes, e ferimentos de pelo menos 12 pessoas, na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, no dia 1º de dezembro. Segundo informações oficiais, as vítimas morreram pisoteadas após uma "operação de controle de distúrbios civis" pela polícia militar em um baile funk. A polícia disse que se dirigiu ao baile funk atrás de dois fugitivos em uma moto, mas moradores da favela disseram à imprensa que a operação policial parecia premeditada e não o resultado de uma perseguição.

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Um vídeo gravado por moradores mostra policiais encurralando dezenas de pessoas em uma viela e batendo nelas com cacetetes. As pessoas que sofrem a violência no vídeo parecem não opor nenhuma resistência, mas estarem apenas tentando sair da área pacificamente.

Um porta-voz da polícia militar de São Paulo disse que alguns dos vídeos da operação "sugerem abuso e ação desproporcional".

O Ministério Público tem competência e obrigação constitucional de exercer o controle externo sobre o trabalho da polícia. Desta forma, deve garantir uma investigação rápida, completa e independente sobre qualquer abuso e uso excessivo da força nesse caso, bem como sobre os ferimentos e as mortes. O Ministério Público do Estado de São Paulo deve também iniciar sua própria investigação independente sobre a motivação, o planejamento e a execução da operação da polícia militar em Paraisópolis.