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Guarabu era um dos traficantes mais procurados no Rio de Janeiro; ele já acumulava mais de 10 mandados de prisão e pertencia à facção TCP

Guarabu era chefe do tráfico de drogas do Morro do Dendê
Arquivo pessoal
Guarabu era chefe do tráfico de drogas do Morro do Dendê

O chefe do tráfico do Morro do Dendê, Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, de 39 anos, foi morto, durante uma operação da PM, na manhã desta quinta-feira (27). Guarabu era um dos traficantes mais procurados do estado. Além da morte do Guarabu, outros cinco suspeitos foram mortos e um fuzil, quatro pistolas, radiotransmissor e drogas foram apreendidos na ação realizada na Ilha do Governador, na zona norte do Rio.

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De acordo com a Polícia Militar, a operação no Dendê começou no fim da madrugada e é realizada pelo Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e pelo 17º BPM (Ilha do Governador). Os disparos na região foram ouvidos por volta das 5h30.

Mais de 10 mandados de prisão

Da facção Terceiro Comando Puro (TCP), Guarabu tinha uma longa ficha criminal, com mais de 10 mandados de prisão em aberto por vários crimes. Tráfico de drogas e homicídio qualificado eram apenas alguns deles. Ele já foi condenado quatro vezes por homicídio e tráfico, e suas penas somadas passam de cem anos.

Em janeiro, O Dia revelou com exclusividade que Guarabu estava sendo investigado pelo assassinato de Rafael Carneiro da Silva Neto, em abril de 2013. Morador do Dendê, Rafael foi morto porque teria agredido e estuprado uma jovem com quem ele tinha um relacionamento na comunidade. Ele foi torturado e teve corpo esquartejado e jogado na Baía de Guanabara.
Guarabu também é apontado como o mandante pela da morte do major Alan de Luna Freire, 40, em novembro do ano passado. O oficial era lotado no 17º BPM e foi assassinado a tiros de fuzil no Jardim Esplanada, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Protegido 

Também em janeiro, O Dia revelou com exclusividade que Guarabu possuía uma extensa rede de proteção, que incluía militares do 17º BPM. Pelo menos 15 agentes da unidade repassavam informações ao traficante . Por isso, ele era considerado praticamente intocável pelas autoridades da Segurança Pública do Rio.

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Na Ilha do Governador, Guarabu também é conhecido como LG, Cebolinha, Lopes ou Jonhy Fernando. Ele passou a lucrar com a exploração da circulação de vans e kombis na região, que teriam como taxas no valor de mais de R$ 300 por motorista. O traficante também expandiu sua atuação com a venda de botijões de gás, TV a cabo clandestina e Internet.

De acordo com investigações da polícia, ele fazia melhorias na comunidade para não ser denunciado pelos moradores.. Ele e seu amigo de infância e braço direito, Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil, que é o segundo na hierarquia da comunidade, expandiram seus domínios até a Baía de Guanabara.

Para se manter no poder, além da propina paga a PMs , Guarabu tinha olheiros espalhados pela Ilha, que tem apenas um ponto de entrada por terra: a Ponte do Galeão. Cauteloso, o traficante também colocava olheiros em lajes de residências em ruas ao redor do Dendê.

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O traficante do Dendê teria montado um "exército" e há, nos acessos à comunidade, bandidos que fazem a "contenção" de seus pontos de drogas. O Disque Denúncia oferecia uma das maiores recompensas pagas pela entidade para localizá-lo: R$ 30 mil.