Reid Wiseman, astronauta e comandante da missão Artemis II
Reprodução/Nasa
Reid Wiseman, astronauta e comandante da missão Artemis II

O astronauta e comandante da missão Artemis II, Reid Wiseman, contou como foi observar a Terra e o lado oculto da Lua durante a viagem espacial realizada em abril deste ano.

O que me impressionou foi o quão rápido deixamos a Terra... Ela era tão pequena e ficando menor. Era essa pequena lua crescente na janela... foi chocante para mim. Reid Wiseman, astronauta comandante da missão Artemis II.


Terra iluminada vista do espaço em foto tirada por um membro da Artemis II
Reprodução/Nasa
Terra iluminada vista do espaço em foto tirada por um membro da Artemis II


A entrevista foi dada ao programa Houston We Have a Podcast, da NASA, e conta com relatos do astronauta que complementam  relatos anteriores sobre como foi ver o satélite de perto e o planeta Terra à distância.

A astronauta Christina Koch também contou que observar a Lua de outro ângulo mudou sua percepção do satélite. Segundo ela, a paisagem parecia diferente por causa da posição da nave, das sombras e da iluminação.

A desolação, o preto e branco... ao longo da borda, você podia realmente ver o relevo das montanhas e as bordas das crateras contra a escuridão do universo, porque a Lua não tem atmosfera. [...] Estava implorando para ser explorada. Implorando para caminharmos naqueles cânions, e foi simplesmente fenomenal Christina Koch, astronauta da Artemis II.



Lado visível da Lua à direita, marcado por manchas escuras, e o lado oculto à esquerda, que não pode ser visto diretamente da Terra.
Reprodução/Nasa
Lado visível da Lua à direita, marcado por manchas escuras, e o lado oculto à esquerda, que não pode ser visto diretamente da Terra.


Missão histórica

A Artemis II foi lançada em 01 de abril de 2026 e  levou quatro astronautas em uma viagem de quase dez dias ao redor da Lua. Além de Wiseman, participaram da missão os estadunidenses Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.

Apresentação da tripulação escalada para missões Artemis, Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen
Josh Valcarcel – NASA JSC
Apresentação da tripulação escalada para missões Artemis, Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen


Wiseman disse em relatos anteriores que a experiência revelou paisagens difíceis de descrever.

Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem a Apollo teria desejado ver. Reid Wiseman, astronauta comandante da missão Artemis II.


A missão tinha o objetivo de testar a nave Orion com pessoas a bordo e observar de perto a superfície lunar, incluindo o lado oculto, que não pode ser visto diretamente da Terra. Durante a viagem, a equipe registrou imagens e viu a Lua de diferentes ângulos.

É simplesmente indescritível. Não importa quantas vezes olhemos, nossos cérebros não conseguem processar essa imagem. Reid Wiseman, astronauta comandante da missão Artemis II.



Quarenta minutos sem contato

Durante o sobrevoo da Lua, a nave Orion passou por uma região em que o próprio satélite bloqueou o sinal de comunicação com a Terra. Por cerca de 40 minutos, os astronautas ficaram sem contato com as equipes em solo. A comunicação foi retomada quando a nave saiu dessa região.

A viagem também levou a tripulação a uma distância recorde do planeta. No ponto mais distante,  os astronautas chegaram a cerca de 406,8 mil quilômetros da Terra, superando a marca de aproximadamente 400,2 mil quilômetros estabelecida pela missão Apollo 13, em 1970.

Antes da Artemis II, missões chinesas já haviam explorado o lado oculto da Lua com sondas robóticas. A Chang'e 4 pousou na região em 2019. Já a Chang'e 6 chegou em 2024 e recolheu amostras do solo lunar, que foram levadas de volta à Terra para análise.


Volta à Terra

Após completar a viagem, a nave Orion entrou na atmosfera terrestre em alta velocidade e pousou no Oceano Pacífico, perto da costa de San Diego, na Califórnia, em 10 de abril de 2026.

A cápsula foi recebida por equipes da NASA e das Forças Armadas dos Estados Unidos. Os quatro astronautas foram retirados e transportados de helicóptero até o porta-aviões USS John P. Murtha, um navio militar usado para apoiar operações no mar.

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