A diplomacia, que já foi uma das mais respeitadas do mundo, também não consegue mostrar o mesmo brilho do passado
Geraldo Magela/Agência Senado
A diplomacia, que já foi uma das mais respeitadas do mundo, também não consegue mostrar o mesmo brilho do passado

O governo brasileiro  rejeitou, na noite desta quinta-feira (23), a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou que a medida do governo Donald Trump é uma política comercial protecionista sem "base legal" e anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade contra o país norte-americano.

Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo declarou o Planalto




Críticas do Planalto

No documento oficial, o governo brasileiro também acusou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de manipular pautas associadas aos "direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo" para justificar a classificação de 59 países e da União Europeia em supostas "práticas desleais".

A manifestação ocorre após o USTR confirmar, nesta quinta-feira, a imposição de uma nova tarifa contra 60 países sob a alegação de que teriam se beneficiado do comércio de produtos ligados ao trabalho forçado.

Contraponto com a OIT

O comunicado do Planalto destaca que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por seus "fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado".

O documento ressalta ainda a assimetria diplomática entre as nações: enquanto o governo brasileiro ratificou 66 Convenções em vigor na OIT  tratados internacionais que garantem direitos fundamentais como o combate ao trabalho escravo e infantil e a igualdade salarial, os EUA são signatários de "apenas 10 dessas Convenções".

Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo declarou a Presidência.


Dupla taxação e alíquotas

A nova medida estabelece taxa de 10% para países que "se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições à importação de trabalho forçado" e de 12,5% para as nações que não teriam adotado tais restrições. 

Segundo a CNN, o valor se soma a tarifas anteriores já aplicadas contra o mercado nacional, como a alíquota de 25% decorrente de investigações anteriores sobre práticas comerciais consideradas desleais por Washington.

Ao todo, as autoridades americanas avaliaram que, além do Brasil, outras 53 economias"falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes