
O Irã acusou os Estados Unidos de cometer crime de guerra após a nova ofensiva militar realizada nas últimas 48 horas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (09), o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os bombardeios desrespeitam a Carta da ONU e rompem o memorando de entendimento firmado entre os dois países para pôr fim ao conflito.
Crise diplomática se agrava após novos ataques
A nova ofensiva militar dos Estados Unidos ampliou a crise diplomática com o Irã e lançou dúvidas sobre a continuidade do cessar-fogo firmado entre os dois países em junho. Para o Teerã, os bombardeios representam uma ruptura dos compromissos assumidos no memorando de entendimento que havia encerrado as hostilidades.
Segundo o governo iraniano, Washington utilizou os recentes incidentes envolvendo embarcações na região como justificativa para realizar os ataques, que, na avaliação de Teerã, violam tanto o acordo bilateral quanto o direito internacional.
Irã promete punir responsáveis e endurece discurso
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o país está determinado a responsabilizar os "agressores" e declarou que não aceitará que "a intimidação e o descumprimento de compromissos" comprometam a soberania e os interesses nacionais iranianos.
O tom também foi reforçado pelo chanceler Seyed Abbas Araghchi durante conversa com o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir. Na ocasião, o ministro voltou a condenar os bombardeios e alertou contra qualquer novo "aventureirismo" militar por parte dos Estados Unidos.
Guarda Revolucionária faz ameaça sobre Ormuz
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que forças estrangeiras não têm legitimidade para atuar na administração do Estreito de Ormuz e advertiu que qualquer interferência americana nas rotas marítimas da região provocará uma "resposta esmagadora".
Apesar do aumento da tensão, o governo iraniano informou que a navegação no estreito está sendo retomada de forma gradual. Segundo Teerã, as embarcações deverão cumprir protocolos de segurança definidos pelas autoridades locais, incluindo a obtenção de autorização da Marinha da Guarda Revolucionária para transitar pela hidrovia.
Navegação segue sob alerta internacional
Durante reunião da Organização Marítima Internacional (OMI), em Londres, representantes iranianos acusaram a potência americana de colocar em risco a segurança da navegação ao atacar portos, instalações costeiras e sistemas de controle do tráfego marítimo.
Ao mesmo tempo, o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pelos EUA, manteve o nível de ameaça à segurança em Ormuz como "grave". De acordo com a imprensa iraniana, o fluxo de embarcações opera atualmente em cerca de metade do volume registrado antes do início do conflito.
Mediação internacional tenta evitar nova escalada
Nos bastidores, Paquistão e Catar intensificam os esforços diplomáticos para restabelecer o diálogo entre Washington e Teerã e evitar um novo agravamento da crise.
Apesar das tentativas de mediação, autoridades americanas avaliam que a escalada pode se prolongar por dias ou até um mês, caso o Irã mantenha ações contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, mantendo elevada a tensão em uma das principais rotas estratégicas para o comércio mundial de petróleo.