
Representantes do setor empresarial brasileiro e norte-americano intensificaram nesta quinta-feira (09) os apelos por uma saída negociada para a disputa comercial entre os dois países.
Em carta conjunta encaminhada aos governos de Brasil e Estados Unidos, Amcham, CNI e U.S. Chamber of Commerce defenderam a ampliação do prazo para as negociações e a celebração de um acordo que encerre a investigação aberta pelos EUA no âmbito da Seção 301, evitando a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Carta foi enviada a autoridades dos dois países
O documento foi encaminhado, no Brasil, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, a carta foi endereçada ao representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
No texto, as entidades defendem que uma solução negociada é a alternativa mais eficaz para preservar a competitividade das empresas, ampliar as oportunidades econômicas entre Brasil e Estados Unidos e evitar prejuízos para trabalhadores, consumidores e o setor produtivo dos dois países.
Setor empresarial propõe agenda de curto prazo
Como medida prioritária, as entidades sugerem a construção de um acordo de curto prazo que amplie o acesso aos mercados para produtos industriais e bens de capital, além de estimular investimentos em infraestrutura voltada à inteligência artificial e data centers.
A proposta também prevê o fortalecimento da cooperação regulatória em áreas estratégicas, como os setores automotivo, farmacêutico, de saúde e de equipamentos médicos.
Além disso, a carta recomenda ainda ampliar a cooperação em minerais críticos, acelerar a análise de pedidos de patentes no Brasil, reforçar o combate à pirataria, prorrogar a moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas aplicadas às transmissões eletrônicas e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.
Entidades defendem agenda econômica mais ampla
Segundo as entidades, um entendimento inicial entre os governos abriria espaço para negociações de longo prazo e m áreas consideradas estratégicas, como segurança energética, comércio eletrônico, inovação, descarbonização industrial, agricultura, transportes e fortalecimento das cadeias produtivas.
O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países destaca o documento
Decisão dos Estados Unidos deve sair nos próximos dias
A manifestação do setor empresarial ocorre às vésperas da decisão do governo norte-americano sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301.
Horas antes da divulgação da carta, Jamieson Greer afirmou, em entrevista à Fox Business, que o resultado da investigação será anunciado "muito em breve". O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) disse manter conversas frequentes com o governo brasileiro, mas reconheceu que ainda há "muita distância" entre as posições defendidas pelos dois países.
Na terça-feira (07), o USTR concluiu a fase de audiências públicas da investigação, que apura supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Ao final do processo, o órgão recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A decisão definitiva caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso a recomendação seja confirmada, a sobretaxa deverá entrar em vigor em 15 de julho.
Negociações seguem em impasse
Nos bastidores, autoridades dos dois países reconhecem que as negociações enfrentam dificuldades. Integrantes do governo brasileiro afirmam que Washington ainda não detalhou quais concessões espera de Brasília. Já os representantes norte-americanos avaliam que o Brasil demonstrou pouca disposição para avançar em um acordo.
De acordo com reportagem do Metrópolis, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, aponta que, o momento exige uma mobilização dos dois governos para evitar uma escalada da disputa comercial.
Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral afirmou, Abrão Neto
A manifestação conjunta das entidades reforça a tentativa do setor privado de influenciar as negociações na reta final do processo. Com a decisão dos EUA prevista para os próximos dias, empresários defendem que um acordo negociado pode evitar novas barreiras comerciais e preservar uma relação econômica considerada estratégica para os dois países.