Primeiro-ministro da Itália é pressionado para continuar no cargo
Reprodução/CNN Brasil
Primeiro-ministro da Itália é pressionado para continuar no cargo


O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, está sob intensa pressão para dar um passo atrás e desistir de renunciar nesta semana, de modo a poupar o país de grande instabilidade política, num momento em que soam alertas econômicos por causa do risco de recessão em toda a Europa.

A decisão final será anunciada numa sessão no Parlamento nesta quarta-feira. Draghi primeiro se dirigirá aos parlamentares em um discurso, no qual pode renunciar imediatamente, ou então explicar como entende o imbróglio político.

Caso não apresente a demissão de imediato, se seguirá um debate, onde cada partido deve se manifestar se ainda endossa o governo e se ele tem maioria parlamentar. Ao término, se saberá o quão grande é o apoio político ao premier, e ele resolverá se sai ou permanece.

Draghi, que originalmente é um economista e não um político, lidera há 17 meses um governo de unidade que inclui quase todos os partidos italianos, da esquerda à direita, com a exceção notável do ultraconservador Irmãos da Itália.

As tensões em sua coalizão acumulam-se há meses, mas chegaram a um ponto de saturação na última quinta-feira, quando o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) boicotou uma votação.

O primeiro-ministro então imediatamente se dirigiu ao palácio presidencial para oferecer a sua renúncia . O chefe de Estado italiano, Sergio Mattarella, no entanto, rejeitou a oferta de demissão, com a esperança de que uma solução pudesse ser encontrada.

A pressão pela permanência tem sido estrondosa. Em contraste com muitas crises políticas anteriores na Itália, recebidas com indiferença pela população, desta vez há mobilizações entusiasmadas para a continuação do governo.

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi — que no início de 2021 foi responsável pela queda do governo anterior, de Giuseppe Conti, do M5S, ao retirar o apoio do seu partido, Itália Viva — lançou um abaixo-assinado on-line chamado “Fica, Mario” e conseguiu mais de 100 mil assinaturas na segunda-feira.

Mais de mil prefeitos de partidos políticos rivais, incluindo os líderes das 10 maiores zonas metropolitanas, assinaram uma carta aberta a favor da permanência. Na segunda-feira, cidades como Roma, Milão, Florença e Turim sediaram comícios que reuniram centenas de pessoas para pedir que o premier não deixe o governo.

Diversos lobbies de categorias profissionais, incluindo a dos médicos, preocupados com a ressurgência do coronavírus, também foram a público com pedidos para ele não sair.

Também houve grande pressão do exterior, de Bruxelas, sede da União Europeia, a Washington, passando pelo presidente ucraniano, Volodímir Zelensky, que manifestaram apoio a Draghi.

No pano de fundo disso, há uma crise econômica que se avizinha, e o temor de que um governo em bom funcionamento é mais indispensável do que nunca. A Europa atualmente se prepara para uma recessão devido à guerra na Ucrânia, os italianos enfrentam o aumento da inflação e os parlamentares precisam aprovar reformas para liberar € 200 bilhões (R$ 1,1 trilhões) recebidos em ajuda da União Europeia para a retomada pós-pandemia.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro italiano viajou à Argélia na -feira para finalizar o acordo que permitirá à Itália reduzir bastante sua dependência do gás russo, que passará de 40% para 25%.

Segundo a imprensa italiana, Draghi consideraria continuar como primeiro-ministro se todos os grupos da aliança, incluindo o M5S, apoiarem suas iniciativas. O partido populista, que perdeu visibilidade e viu sua identidade se tornar mais fraca dentro de uma coalizão muito ampla, depende de seu líder, o ex-premier Conte, que reiteradamente diz que só apoiará Draghi se este expandir os gastos sociais.

Segundo a Bloomberg, há deputados do M5S que estão dispostos a dar as costas ao líder partidário e pedir para Draghi ficar. É incerto se isso será suficiente para convencê-lo.

O apoio de outros partidos no governo, como a Liga, de Matteo Salvini, também pode estar em risco. Pesquisas indicam que novas eleições beneficiariam os partidos de direita, e Salvini, cuja carreira se iniciou na extrema direita, mas nos últimos anos busca posar como não radical, pode ficar tentado a se juntar a uma nova coalizão.


Tanto a Liga quanto a Força Itália, de Silvio Berlusconi, dizem que estão dispostos a permanecer no Gabinete, mas com a condição de que o M5S não esteja mais no governo — uma exigência que Draghi já descartou.

Se a saída se confirmar, caberá ao presidente Mattarella decidir o próximo passo. Este pode ser uma tentativa de formar outro governo, com um novo primeiro-ministro, ou a convocação de eleições gerais antecipadas — pelo calendário normal, elas ocorreriam apenas em 2023.

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