A suposta arma usada no crime, com dois canos colados com fita adesiva preta
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A suposta arma usada no crime, com dois canos colados com fita adesiva preta

A polícia do Japão admitiu neste sábado (9) que houve falhas na segurança do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, 67, assassinado durante um comício político na última sexta-feira (8).

"É inegável que houve problemas na segurança", disse o chefe da polícia de Nara, Tomoaki Onizuka, durante uma coletiva de imprensa no dia seguinte ao atentado.

As autoridades de segurança sabiam que Abe faria um comício na cidade, mas é comum que eventos políticos no Japão não sejam protegidos pelas forças de ordem, independentemente da notoriedade dos participantes.

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Em muitos casos, os cidadãos conseguem se aproximar dos políticos tranquilamente. No caso de Abe, ele foi baleado pelas costas enquanto discursava no comício de um aliado que disputa as eleições legislativas deste domingo (10).

Socorrido imediatamente e levado a um hospital, o ex-premiê não resistiu a uma grave hemorragia interna e teve a morte confirmada horas depois.

Os disparos foram efetuados por Tetsuya Yamagami, um ex-militar de 41 anos e que usou uma arma caseira no atentado. Yamagami foi preso, mas ainda não se sabe exatamente o que teria motivado o crime.

Segundo a imprensa japonesa, o agressor chegou a admitir à polícia que estava "frustrado" com o ex-premiê, porém negou que cultivasse qualquer tipo de "rancor" por razões políticas.

Ainda de acordo com a imprensa local, Yamagami planejava cometer um atentado contra o líder de um suposto grupo religioso ao qual ele diz que Abe estava ligado. A mãe do agressor teria doado grandes quantias de dinheiro para essa organização, causando problemas econômicos à família.

O corpo do ex-primeiro-ministro já foi restituído para a família em Tóquio, e o funeral está previsto para a próxima terça (12).

Shinzo Abe foi o premiê mais longevo na história do Japão e governou o país em duas ocasiões: primeiro entre setembro de 2006 e setembro de 2007 e depois entre dezembro de 2012 e setembro de 2020, quando renunciou repentinamente por motivos de saúde.

Em seu período no poder, defendeu o aumento dos investimentos em defesa, rompendo com a tradição pacifista do Japão no pós-guerra, e implantou uma cartilha econômica apelidada de "Abenomics", com políticas monetárias expansionistas e reformas estruturais.

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