Boris Johnson
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Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, sobreviveu a um voto de confiança de seu próprio Partido Conservador nesta segunda-feira. Sendo assim, ele vai se manter como líder da sigla e premier do país.

Seguindo as regras do partido, Boris não poderá enfrentar outro voto de confiança em um ano. No entanto, isso não significa segurança para o premier, como ocorreu com sua antecessora Theresa May, que sobrevivera ao processo, mas, pressionada, deixou o cargo meses depois

A votação, que envolveu os 359 parlamentares conservadores e foi iniciada com o apoio de mais de 15% deles, ocorreu após meses de crise por causa da realização de festas na sede do governo — inclusive com bebidas alcoólicas — em um momento em que os britânicos estavam de quarentena, proibidos de realizar realizar reuniões, por causa da pandemia de Covid, além de problemas e econômicos e perdas do Poder Conservador em eleições regionais.

Boris ainda enfrenta acusações de ter enganado o Parlamento sobre o "partygate", como ficou conhecido o escândalo. Ele se tornou o primeiro premier britânico a ser multado pela polícia, porque quebrou a lei ao participar de uma aglomeração para celebrar seu aniversário — ele pediu desculpas pelo ocorrido, mas negou ter infringido as regras em outros episódios.

No mês passado, um relatório interno produzido pela alta funcionária civil Sue Gray afirmou que líderes políticos e altos funcionários britânicos, sem citar o nome de Boris, envolvidos no escândalo deveriam "assumir a responsabilidade", ao descrever eventos com consumo excessivo de álcool, um convidado vomitando, uma maquina de karaokê e até briga — durante um momento que a população não podia nem se despedir dos mortos pela Covid.

Enfrentando problemas econômicos, como o aumento do custo de vida do país, e com seu partido perdendo espaços nas eleições regionais em maio, além do próprio "partygate", Boris aparentava ter conseguido deixar os problemas um pouco de lado ao adotar uma postura firme em relação à invasão russa na Ucrânia, enviando armas a Kiev e expressando apoio ao presidente Volodymyr Zelensky.

Mesmo assim, com a guerra se alongando e a recente divulgação do relatório interno, o processo desta segunda foi desatado com o apoio de ao menos 54 dos parlamentares do Partido Conservador de Boris — número que ultrapassa os 15% necessários para iniciar tal votação. O processo ocorreu entre 18h e 20h no horário local (14h e 16h em Brasília), com o resultado divulgado às 21h (17h em Brasília).

Boris precisava de uma maioria simples, 180 votos, para sobreviver na liderança do partido e, consequentemente, no cargo. O fato da votação ser secreta acrescentava mais uma camada de tensão ao premier, já que permitia que até aqueles que se posicionavam publicamente pela sua permanência no cargo votassem secretamente contra ela.

Quase três após liderar seu partido a uma vitória no Parlamento e cumprindo a promessa de retirar o Reino Unido da União Europeia, no processo que ficou conhecido como Brexit, a aprovação ao trabalho do premier despencou nos últimos meses, com a taxa de aprovação ficando em apenas 26% no início de maio, segundo uma pesquisa da YouGov. 68% das pessoas disseram que ele estava governando mal.

Outro número que ilustra a perca de apoio a Boris foi o de uma pesquisa divulgada pelo por um site que apoia Partido Conservador, mostrando que 55% dos membros da sigla disseram que os parlamentares deveriam retirar o premier do poder, com 41% defendendo que ele deveria ser mantido no cargo.

Na sexta-feira, quando ele e sua esposa Carrie Johnson subiram os degraus da Catedral de São Paulo para um serviço de ação de graças em homenagem aos 70 anos da rainha Elizabeth II no trono, ele chegou a ser vaiado pela multidão.

Em uma tentativa de salvar seu cargo, Boris se reuniu com parlamentares conservadores a portas fechadas mais cedo nesta segunda em uma sala do Parlamento para tentar convencer seus colegas a mantê-lo no cargo, dizendo que o melhor estava por vir se eles o apoiassem.

"Eu vou liderar vocês à vitória novamente e os vencedores serão as pessoas deste país", disse o premier, segundo trechos divulgados por uma autoridade do partido, prometendo também reduzir impostos e se concentrar nos problemas enfrentados pelo Reino Unido. "Nós podemos entregar e podemos nos unir".

Ele também alertou que a oposição, o Partido Trabalhista, prevaleceria nas próximas eleições “se fôssemos tão tolos a ponto de cair em algum debate fratricida inútil sobre o futuro do partido quando, francamente, não há uma visão alternativa que estou ouvindo”.

Somando-se às dificuldades de Boris, John Penrose, parlamentar responsável por questões anticorrupção, renunciou ao cargo na segunda-feira, dizendo ter concluído que o primeiro-ministro quebrou o código sob o qual os primeiros-ministros operam e, portanto, deveria renunciar.

"Espero que agora você fique de lado para que possamos olhar para o futuro e escolher seu sucessor", escreveu Penrose em uma carta divulgada publicamente.

A última vez que um voto de desconfiança semelhante ocorreu foi em 2018. Theresa May, então primeira-ministra, sobreviveu ao processo, mas ainda foi forçada a renunciar meses depois.

*Com informações de agências internacionais

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