Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente russo, Vladimir Putin
Prachatai/Flickr/Creative Commons - 22.03.2022
Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente russo, Vladimir Putin

Principal nome da oposição ao presidente russo Vladimir Putin e preso desde janeiro do ano passado, Alexei Navalny teve confirmada, nesta terça-feira, uma pena de nove anos de prisão, relacionada a acusações de fraude e desacato. Mas a audiência que rejeitou o recurso apresentado pela defesa foi marcada pelas duras críticas que ele fez à invasão da Ucrânia, chamada por ele de “guerra estúpida”, e às lideranças no Kremlin.

"Você [Putin] pode quebrar muitos destinos, mas sofrerá uma derrota histórica aqui e nesta guerra estúpida que você começou", disse Navalny. "Nem todos na Rússia são tão loucos, pervertidos e sugadores de sangue. Eu certamente estou pronto para ir para a cadeira por dizer a todos que as pessoas estão morrendo".

Apesar das interrupções por parte do juiz responsável pelo caso, Navalny manteve o tom agressivo, afirmando que “ninguém matou mais russos nos últimos anos do que Putin”, e dizendo que a invasão da Ucrânia “foi construída sobre mentiras”.

"Na TV, em todas reportagens, diziam que não mandariam tropas para a Ucrânia", disse. "Mentiras descaradas, ignorando o que foi dito no passado".

Citando um argumento central em seus ataques a Putin nos últimos anos, ele afirmou que o Estado russo está dominado por “bandidos e ladrões”, e que todos os responsáveis pela guerra serão julgados por seus atos no futuro.

"Um homem louco colocou suas garras na Ucrânia e não sei o que ele quer fazer com ela, esse ladrão louco", afirmou. "Mas seu tempo vai passar. Você vai queimar no inferno e seus avós vão jogar lenha, eles não queriam que vocês começassem novas guerras no século XXI".

Logo depois, um juiz do tribunal municipal de Moscou confirmou que a sentença inicial, anunciada no dia 22 de março, estava mantida, sinalizando que ele seria transferido para uma colônia penal de regime “severo”, onde deve cumprir os nove anos da pena. No Twitter, sua porta-voz, Kira Yarmysh, afirmou que o destino deve ser a colônia nº6 de Melekhovo, a 200 km de Moscou.

"O local para o qual ele deve ser transferido é conhecido por torturar e matar prisioneiros", escreveu.

Um dos poucos nomes de uma oposição de fato a Vladimir Putin na Rússia, Alexei Navalny está preso desde janeiro de 2021, quando retornou de um tratamento médico na Alemanha — meses antes, em agosto de 2020, ele foi envenenado quando fazia um voo na Sibéria, e especialistas afirmaram que ele havia sido exposto à substância conhecida como Novichok, uma arma química desenvolvida na URSS. O Kremlin nega qualquer participação no caso.

Na visão do Judiciário russo, Navalny violou as regras da liberdade condicional, relacionada a uma condenação anterior por fraude, em 2014, ao buscar tratamento no exterior, o que motivou sua detenção na chegada a Moscou e à imposição de uma pena, em fevereiro do ano passado, de dois anos e meio de prisão. Ele afirma que as acusações foram forjadas.

Em março, a Justiça o considerou culpado em um outro caso, relacionado a denúncias de desvio de milhões de rublos em doações à sua organização, a hoje banida Fundação Anti-Corrupção, além de desacato à corte. Com isso, a pena foi ampliada para nove anos de prisão, além do pagamento de multa de 1,2 milhão de rublos (R$ 101 mil) e de um ano e meio de liberdade condicional. Navalny considera que o processo tem motivações políticas, e tem como objetivo mantê-lo longe da vida pública russa.

Se dirigindo ao tribunal nesta terça-feira, Navalny sugeriu que nem mesmo os magistrados estavam convencidos de que ele era culpado.

"A juíza Natalya Repnikova, que substituiu minha liberdade condicional por uma pena real, disse por meio de meus advogados que ela se arrependia de sua decisão", disse Navalny, se referindo à magistrada que o sentenciou a dois anos e meio de prisão. Ela morreu de Covid-19 em setembro do ano passado.

Ainda não está claro se Navalny será processado por seus comentários sobre a guerra, de acordo com uma lei, aprovada em março, que pune com até 15 anos de prisão quem espalhar o que as autoridades chamam de “notícias falsas” sobre a invasão da Ucrânia. Desde então, mais de 15 mil pessoas foram detidas por conta de postagens em redes sociais, denúncias anônimas e da participação em protestos contra a guerra.

*Com informações de agências internacionais

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