Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente russo, Vladimir Putin
Prachatai/Flickr/Creative Commons - 22.03.2022
Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente russo, Vladimir Putin

opositor russo Alexei Navalny foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado pelos crimes de fraude e desacato à Justiça nesta terça-feira (22). O advogado e ativista já estava preso desde janeiro do ano passado por outra acusação de desvio de dinheiro de uma empresa de cosméticos francesa.

Além da pena, a juíza Margarita Kotovo ainda adicionou uma multa de 1,2 milhão de rublos (cerca de R$ 570 mil). A acusação sobre fraude seria por conta de um suposto desvio de US$ 4,7 milhões de dinheiro de suas próprias organizações anticorrupção; o desacato teria acontecido durante uma audiência em que ele teria "ofendido" um dos juízes.

"9 anos de regime restrito. Meu voo espacial está demorando um pouco mais do que o esperado - a nave está presa em um loop temporal. Me ocorreu que meu papel nessa saga é similar ao daquele cara do filme Interestelar. Se você se lembra, os personagens principais entram na estação, após decolarem do planeta onde o tempo flui várias vezes mais rápido. E são recebidos por um cara de barba e roupão de banho que diz: 'Espero você há 23 anos, 4 meses e 8 dias'", escreveram os assessores de Navalny em sua conta no Twitter.

"Eu imediatamente descartei esse pensamento. Em primeiro lugar, não tenho barba nem roupão. E em segundo lugar, é tudo bobagem.

Os números não importam. Só estão em uma placa acima do meu beliche, só isso. E nem eu nem meus camaradas vamos simplesmente 'esperar'", alertou ainda.

Na longa postagem, Navalny ainda afirma que "as palavras tem poder e [Vladimir] Putin tem medo da verdade". "Lutar contra a censura e levar a verdade ao povo da Rússia continua sendo nossa prioridade. O Kremlin esmaga a mídia e, em resposta, nós criamos novas", pontuou ainda.

Após o anúncio da justiça, a polícia russa prendeu os dois advogados que defenderam Navalny durante o processo, segundo informou o jornal independente "Novaya Gazeta". Olga Mikhailova e Vadim Kobzev teriam sido levados pelos guardas assim que terminaram de dar entrevista para os jornalistas.

A condenação também teve repercussões internacionais, com ataques ao governo russo. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse que estava "estarrecida" com a notícia de que Navalny "foi considerado culpado em um novo processo fraudulento".

"Isso é um escárnio da justiça e pedimos a sua soltura imediata."

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Estamos ao seu lado e ao lado de todos os russos que se opõem à corrupção, ao despotismo e à guerra", disse Metsola.

O porta-voz do governo britânico também se manifestou e disse que a nova acusação "foi fabricada" por Putin. "Os nossos pensamentos estão com Alexei Navalny e sua família enquanto ele continua a mostrar uma incrível coragem em opor-se ao regime."

Essa e outras acusações são fabricadas por Putin contra quem busca chamá-lo a responder por seus atos", acrescentou.

Navalny - Conhecido por ser um crítico ferrenho de Putin há anos, o advogado voltou a chamar a atenção por conta de seu envenenamento com uma substância do grupo novichock, ocorrido em 20 de agosto de 2020. Após o atendimento de emergência dado ainda em território russo, ele foi transferido para Berlim dois dias depois.

Na Alemanha, Navalny ficou em tratamento médico até janeiro de 2021, quando retornou a Moscou. Porém, antes de sair do avião, ele foi preso pelas autoridades e levado para uma colônia penal.

A detenção ocorreu porque o opositor russo não compareceu a uma audiência de última hora no dia 31 de dezembro de 2020. A convocação pelo serviço penitenciário foi vista tanto pela defesa de Navalny como pelos países ocidentais como um pretexto para prender em regime fechado o advogado - já que o governo sabia que ele ainda estava em território alemão em tratamento médico.

Navalny havia sido condenado em 2014 a três anos de prisão por um suposto desvio de 26 milhões de rublos (cerca de R$ 12 milhões) de uma empresa cosmética francesa. No entanto, após um ano de detenção em regime fechado, ele pode sair da cadeia em pena suspensa. Só que, como não compareceu à audiência de dezembro, a pena foi convertida novamente em fechado.

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