Kiev, capital da Ucrânia
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Kiev, capital da Ucrânia

A maioria das forças russas concentradas perto de Kiev se espalhou em unidades menores  e está agora a 25 km da capital, e não mais a 35 km, informou o Ministério da Defesa do Reino Unido em seu boletim diário de inteligência neste sábado (12), o 17º dia da guerra.

O boletim informa que a grande coluna russa a noroeste da capital — que se prolongava por dezenas de quilômetros, como um gigantesco engarrafamento — se dispersou  "provavelmente para apoiar uma tentativa russa de cercar a cidade". Pode haver também "uma tentativa da Rússia de reduzir sua vulnerabilidade aos contra-ataques ucranianos, que afetaram significativamente as forças russas", diz a inteligência britânica.

Apesar de ter se aproximado da capital, os avanços da Rússia seguem lentos, e neste sábado só foram registrados ataques pontuais em seus arredores . Alguns alvos ucranianos foram atingidos durante a madrugada e as primeiras horas da manhã, mas não houve combates de grande magnitude na capital.

Em Vasylkiv, um centro industrial a 36 km ao sul que é atacado pela Rússia desde os primeiros dias da guerra, um aeródromo militar foi atacado por oito mísseis por volta das 7h (hora local), segundo a prefeita da cidade, Nataliia Balasynovych. O ataque contra a base aérea indica uma mudança tática russa: no terceiro dia de guerra, 26 de fevereiro, uma força tática tentara capturar o aeródromo, sendo repelida pela resistência ucraniana.

Desta vez, o aeródromo ficou "completamente destruído", segundo o jornal Kyiv Independent, que acrescentou que o depósito de petróleo local também foi destruído, e um depósito de munição pegou fogo. No pequeno vilarejo de Kvitneve, onde moram menos de 800 pessoas, a 108 km a Sudoeste de Kiev, um armazém de produtos alimentícios congelados pegou fogo após o bombardeio russo. Não houve relatos de vítimas.

De resto, os avanços contra Kiev foram limitados nos últimos dias. Após ter conquistado posições nas cidades-satélites de Hostomel, Irpin e Bucha, a noroeste e oeste, e dominado uma estrada conhecida como Rodovia de Varsóvia, as forças russas não conseguiram avançar para o sul até controlar uma estrada para Zythomyr, um centro urbano a 150 km a oeste. 

Apesar de peças de artilharia terem assumido posições de ataque na sexta-feira (11), há indícios de uma nova pausa operacional, para reabastecer os suprimentos. Embora a Rodovia de Varsóvia tenha se tornado uma importante rota de abastecimento de mantimentos vindos da Bielorrússia — junto da estrada P02, ao Norte — os indícios são de que a tropa Russa ainda enfrenta problemas de logística, que dificultam a entrega de combustível e alimentos. 

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De acordo com o último boletim do Instituto de Estudos da Guerra (ISW), sediado em Washington, "a aparente necessidade das forças russas de realizar outra pausa operacional após os ataques fracassados de 8 a 9 de março apoia avaliações do Estado-Maior ucraniano de que as forças russas têm um poder de combate muito menos eficaz na capital do que seus números sugerem".

Segundo o instituto, no entanto, "é altamente improvável que o Kremlin abandone seu esforço principal contínuo para cercar e capturar Kiev".  Ruslan Leviev, da Equipe de Inteligência de Conflitos (CIT), um grupo de investigação online que verifica a atividade militar da Rússia, concorda que "o eixo de Kiev está entre suas principais prioridades".

"Como acreditamos, os russos podem reconhecer o fato de que em algum momento terão que buscar negociações e oferecer um acordo. Portanto, eles precisam da maior alavancagem que puderem para as negociações. Isto significa o cerco de Kiev e um desastre humanitário na cidade", escreveu.

De acordo com as estimativas do grupo, a Rússia pode estar tentando concentrar um total de quase 21 a 22 grupos de batalhões táticos (BTGs) contra Kiev, incluindo quase 15 vindos do noroeste. Segundo as estimativas, a Rússia emprega entre 120 e 125 destes grupos no ataque à Ucrânia. Cada um é formado por de 600 a 800 oficiais e soldados, dos quais cerca de 200 são soldados de infantaria, equipados tipicamente com 10 tanques e 40 veículos de combate de infantaria.

Segundo o CIT, a situação a Leste dacapital  é ainda pior, após a resistência ucraniana em  regiões do norte, sobretudo Chernihiv, desviar uma parte significativa da força russa de Kiev.

Em vistas disso, o Kremlin deve enviar reforços para apoiar a operação. Nas sexta-feira, Moscou anunciou planos para enviar combatentes estrangeiros, incluindo até 16 mil combatentes sírios, para a Ucrânia. Há pressões, igualmente, para que a aliada de Moscou Bielorrússia, que faz fronteira com a Ucrânia pelo norte, envie soldados. Na sexta-feira, Aleksandr Lukashenko, o ditador bielorrusso, se reuniu com Putin em Moscou. Lukashenko — que enfrenta uma oposição doméstica mais forte do que a de Putin, após os grandes protestos de 2020 e 2021 — alega repetidamente que suas tropas devem permanecer em território doméstico, para repelir um suposto ataque da Otan.

Citando fontes não identificadas, a inteligência ucraniana informou ter "plena confiança" de que a aviação russa se prepara para conduzir um falso ataque contra um alvo bielorrusso, a ser atribuído a forças ucranianas, com o fim de arrastar o país para a guerra. Autoridades ucranianas chegaram a dizer que, na sexta-feira, dois alvos foram atacados por aviões russos em Kopani, perto da fronteira com a Ucrânia. Autoridades bielorrussas negaram o ataque.

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