Ataque de artilharia contra a cidade de Mariupolu, na Ucrânia
Associated Press
Ataque de artilharia contra a cidade de Mariupolu, na Ucrânia

Fracassou a primeira tentativa de criar corredores humanitários para evacuar civis de cidades da Ucrânia sob assédio da Rússia.

Nas primeiras horas deste sábado (5), o Kremlin havia anunciado uma trégua temporária de cinco horas em Mariupol e Volnovakha, no sudeste ucraniano, para permitir a retirada da população civil de áreas sob bombardeio.

No entanto, as autoridades das duas cidades denunciaram repetidas violações do cessar-fogo pela Rússia e decidiram suspender a evacuação, pedindo que os moradores voltassem para abrigos.

“Devido ao fato de que o lado russo não aderiu ao cessar-fogo e continua bombardeando Mariupol e seus arredores, a evacuação da população civil foi adiada”, diz um comunicado divulgado pela prefeitura nas redes sociais.

Mariupol tem cerca de 450 mil habitantes e está sob cerco da Rússia desde o início da semana, o que provocou o corte no abastecimento de água potável. “Pedimos para todos os residentes de Mariupol se dispersarem e ir para lugares onde possam se abrigar”, acrescenta a nota.

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Em Volnovakha, de pouco mais de 20 mil habitantes, apenas 400 pessoas foram evacuadas. “Ainda que tivéssemos a intenção e o transporte necessário para evacuar muito mais, precisamos parar o movimento do comboio porque os russos recomeçaram a bombardear Volnovakha sem piedade”, afirmou o governador da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko.

Estima-se que mais de 200 mil pessoas pudessem deixar Mariupol e que outras 15 mil saíssem de Volnovakha, cidade que, segundo o deputado local Dmytro Lubinets, foi 90% danificada pelos bombardeios russos. “Os cadáveres não foram recolhidos, e as pessoas que se escondem nos abrigos estão ficando sem comida”, salientou o parlamentar ao jornal Kyiv Independent.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) também se pronunciou e disse que as “operações de passagem segura em Mariupol e Volnovakha não vão começar” neste sábado.

“As cenas em Mariupol e outras cidades são de cortar o coração.

Qualquer iniciativa das partes que dê aos civis um alívio da violência e permita que eles saiam voluntariamente para áreas seguras é bem-vinda”, ressaltou a instituição.   

Por sua vez, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que os corredores humanitários foram bloqueados por “nacionalistas ucranianos”, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse que “ninguém se apresentou” para a evacuação.   

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