Trem de refugiados na Ucrânia
reprodução: Twitter
Trem de refugiados na Ucrânia

Um grupo de brasileiros distribuídos por diversos países está mobilizando esforços virtuais - e em terra - para auxiliar compatriotas a deixar a Ucrânia.

Nos primeiros dias de conflito, os organizadores do BrazUcras pensaram na possibilidade de distribuir mantimentos e prestar assistência a quem estava na fronteira, mas diante das necessidades criadas pela Guerra, a iniciativa tomou grandes proporções, como conta Lorena Barros, uma das coordenadoras da operação do grupo.

"A Clara [fundadora] alugou um carro e viajou até a fronteira da Polônia. O Rodolfo mora na Irlanda e pegou um voo. Foi muito rápido. Acho que as informações foram chegando, bombardeando a gente, e aquilo foi criando um movimento muito orgânico e natural, sabe? De querer ajudar, desse propósito maior. No primeiro dia foi bem desafiador. Quando a Clara chegou lá ela ainda estava tentando entender o que estava acontecendo, a gente a princípio achou que não teria muita organização na fronteira com a Polônia, mas ações humanitárias já estavam bem organizadas lá. Inicialmente a nossa ideia era ir para lá, comprar alimentos e ajudar as pessoas", narra.

"Quando vimos que existia uma necessidade, que os brasileiros não estavam conseguindo sair, a Clara solicitou uma ajuda do Corpo de Bombeiros para atravessar essa menina brasileira, só que ela estava com outros homens e eles não estavam deixando passar. A Clara voltou no outro dia de carro com comida, liberaram a passagem dela, e de lá para cá, digo que eles estão sendo invisíveis na fronteira. E estão tendo ousadia. Hoje existe uma dificuldade maior, estamos tentando contatar ucranianos que estão e terra, seguros, e que também estão oferendo alguma ajuda. Falando assim parece fácil, mas é situação de guerra", descreve.

Lorena mora no Reino Unido, e de lá, ao lado de Mari de Jesus, coleta informações sobre as necessidades dos que ainda estão pelo caminho. Além de Clara, Rodolfo e Jorge fazem o caminho de ida e volta nas fronteiras com a Polônia e a Hungria, voluntários de T.I, redes sociais, comunicação, e quem recebe as solicitações para buscar soluções.

"Começamos o processo de buscar saídas, melhores rotas, divulgar as linhas de trens - que eram muitas, mas hoje informam faltando 1h para sair. A maioria das pessoas no grupo são parentes, até a comunicação tá ruim, é uma comunicação terceirizada. Quando a gente viu, cada um já tinha uma atividade", conta.

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Com as notícias sobre a guerra, o crescimento foi quase imediato. A exposição surpreendeu os organizadores, mas também teve seu lado negativo. Nos últimos dias, cinco contas fake foram denunciadas pelo grupo por pedirem transferências bancárias via pix disfarçadas de doações.

"Encontramos cinco contas fakes, estamos tentando ver com o Instagram uma forma de evitar que as pessoas usem da má-fé. Soubemos de pessoas que fizeram transferência, estão se aproveitando do momento, é triste. Ontem o grupo tinha 400 pessoas. A gente deu uma entrevista, nem sabia que ia ser postado no mesmo dia, pronto. Acabei fechando o grupo, porque as pessoas mandam solicitações e meu celular travou de notificações!".

Desde o início da semana, os voluntários têm tentado resgatar o maior número de pessoas possível - incluindo não-brasileiros. E o resultado, segundo Lorena, não poderia ser mais recompensador.

"Uma vez que a gente consegue trazer essas pessoas, que é o mais difícil, a gente comemora. É muito tumulto, muita gente, a rede de telefone funciona direito, tudo é via internet. Nos primeiros dias estava muito mais difícil, estava muito concentrada a saída pela Polônia, levando de dois a três dias. Começamos a olhar rotas alternativas, pela Hungria, onde foi a primeira saída da Clara, foram horas".

"Mas se você já está com a pessoa, o tempo que vai ficar na fila às vezes nem interessa. E independente de ser brasileiro, nos últimos dias temos ajudados pessoas de outras nacionalidades. Gente que tinha uma vida lá, obrigado a deixar tudo para trás, sem saber sairá vivo, se vai chegar em casa. É indescritível. Às vezes me dá uma ansiedade... Agora mesmo me enviaram algo de Odessa, temos uma família lá. Essa cidade é próximo da Moldávia, há uma relação conflituosa com a Ucrânia, e pode ser que haja um bombardeio. E aí, a gente tem que correr para tentar achar uma solução. Nós não conseguimos dormir, ficamos tentando achar uma solução."

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** Filha da periferia que nasceu para contar histórias. Denise Bonfim é jornalista e apaixonada por futebol. No iG, escreve sobre saúde, política e cotidiano.

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