O presidente da França, Emmanuel Macron
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O presidente da França, Emmanuel Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, deu uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2) em que afirmou que a guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia "é uma escolha apenas" de Vladimir Putin, mas que continuará em contato com o mandatário russo "até quando for possível".

"Putin escolheu sozinho e de maneira deliberada essa guerra, renegando seus compromissos. Essa guerra não é um conflito entre Otan e Ocidente de um lado e Rússia do outro", destacou. No entanto, ele reafirmou que seguirá em contato por telefone com o chefe do Kremlin para tentar dissuadi-lo da ideia de levar o conflito adiante.

"Enquanto falo constantemente com Volodymyr Zelensky [presidente da Ucrânia], decidi que continuarei a permanecer em contato, até quando for possível e for necessário, com Putin também para buscar incansavelmente convencê-lo a renunciar às armas", acrescentou.

Desde antes do conflito bélico ser iniciado, em fato que aconteceu no dia 24 de fevereiro, Macron se reuniu e telefonou para seu homólogo russo por diversas vezes - mas as tentativas de evitar o conflito foram em vão.

"Não há tropas da Otan na Ucrânia, é tudo mentira. A Rússia não está sendo agredida, ele é o agressor. Essa guerra é ainda menos uma luta contra o nazismo, como uma propaganda incontrolável quer fazer pensar. É uma mentira, um insulto à história da Rússia e da Ucrânia, à memória dos nossos antepassados, que lutaram lado a lado para combater o nazismo", acrescentou o francês rebatendo as acusações do atual governo de Moscou.

Macron ainda reforçou a França "não está em guerra contra a Rússia".

"Sabemos tudo o que nos liga a esse grande povo europeu que é o povo russo, que tanto se sacrificou na Segunda Guerra Mundial para salvar a Europa do abismo. Hoje, estamos do lado de todos os russos que rejeitam que seja feita uma guerra indigna com seu nome, que tem o espírito de responsabilidade e a coragem de defender a paz e que se fazem ser ouvidos na Rússia e fora dela", afirmou referindo-se aos protestos diários que vem ocorrendo no país.

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Segundo sites independentes, mais de sete mil pessoas em mais de 45 cidades russas já foram presas desde o dia 24 por protestarem contra a guerra.

Falando aos franceses, Macron ressaltou que "os próximos dias dessa prova sem precedentes em décadas serão ainda mais duros" e que os efeitos também serão sentidos pela população, com a alta de preços em diversos setores.

"Não podemos nos enganar. O que está acontecendo não terá consequências imediatas por algumas semanas. São um sinal de mudança de época. A guerra na Europa não pertence mais aos livros de história: ela está aqui aos nossos olhos.

Ao fim de sua fala, Macron voltou a fazer um apelo que vem ganhando força há cerca de dois anos na União Europeia, que é o bloco focar mais em "sua defesa comum".

"A nossa defesa europeia deve superar uma nova etapa. Não podemos mais depender dos outros para nos defender", disse Macron lembrando que o assunto será debatido pelos chefes de governo e de Estado dos países-membros do bloco entre os dias 10 e 11 de março.

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