Vladimir Putin e Ramzan Kadyrov se cumprimentam
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Vladimir Putin e Ramzan Kadyrov se cumprimentam

O ditador da região russa da Chechênia e um dos mais fiéis aliados de Vladimir Putin , Ramzan Kadyrov, disse neste sábado que tropas especiais chechenas, com cerca de 12 mil militares, foram enviadas para a Ucrânia, e instou ucranianos a derrubarem o governo de Volodymyr Zelensky. Na década de 1990, a Chechênia enfrentou duas brutais invasões de forças russas para reprimir sua tentativa de independência de Moscou.

Em um vídeo postado online, Kadyrov se gabou de que as unidades chechenas até agora não sofreram baixas e disse que as forças russas poderiam facilmente tomar grandes cidades ucranianas, incluindo a capital Kiev, mas que "sua missão é evitar a perda de vidas e conduzir a operação com cuidado".

"Até agora, não tivemos uma única vítima, feridos, nem um único homem sequer teve o nariz escorrendo" disse Kadyrov, em referência aos seus soldados. "O presidente (Putin) tomou a decisão certa. Não queremos que outros lancem ataques contra a Rússia a partir da Ucrânia."

Soldados chechenos
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Soldados chechenos

Há dias, o regime checheno divulga vídeos de soldados concentrados em Grozny, a capital da região majoritariamente muçulmana no Sul da Rússia.

Na década de 1990, Moscou travou duas guerras sangrentas com separatistas na Chechênia. Durante o desmembramento da União Soviética em 1991, a região declarou independência. A Primeira Guerra da Chechênia começou em 1994, quando as forças russas entraram na Chechênia para restaurar a sua soberania sobre o território.

Após quase dois anos de combates brutais, com a opinião pública russa fortemente contra a guerra e um número de mortos superior a cem mil por algumas estimativas, houve um acordo de cessar-fogo em 1996, com a Chechênia obtendo sua independência de fato, mas não juridicamente.

Em agosto de 1999, combatentes islâmicos da Chechênia se infiltraram na região russa do Daguestão, declarando-a um Estado independente e pedindo guerra santa. Durante a campanha inicial, militares russos e forças paramilitares chechenas pró-russas enfrentaram separatistas chechenos em combate aberto e tomaram a capital chechena Grozny após um cerco de inverno que durou de dezembro de 1999 a fevereiro de 2000. Calcula-se que até 50 mil pessoas morreram no segundo conflito.

Vladimir Putin, então em seu primeiro mandato como presidente, nomeou Akhmad Kadyrov, pai do atual ditador, como líder da região em 2000. A região atualmente tem uma Constituição que lhe garante um significativo grau de autonomia, mas ainda a vincula firmemente ao mando de Moscou.

O regime autoritário de Ramzan Kadyrov começou em 2007 e é conhecido por graves abusos contra minorias e violações dos direitos humanos. Kadyrov sempre se descreveu como o “soldado de infantaria” de Putin.

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O movimento separatista checheno radicalizou-se desde a sua segunda guerra e aproximou-se do fundamentalismo islâmico, chegando a conduzir um grande ataque terrorista contra civis em um teatro de Moscou em 2002, que deixou até 274 mortos. Na última década, no entanto, os separatistas fragmentaram-se e perderam força, enquanto Moscou fornece grandes quantidades de dinheiro e recursos para Kadyrov.

Para alguns analistas, Putin deseja instaurar um regime-fantoche na Ucrânia, uma região tradicionalmente na esfera de influência de Moscou que se afastou progressivamente a partir de 2014, aproximando-se do Ocidente. Kadyrov também fez uma chamado para os ucranianos "se livrarem de seus líderes".

Kiev sob ataque

O vídeo de Kadyrov foi ao ar quando as forças russas atacavam cidades ucranianas com artilharia e mísseis de cruzeiro neste sábado, pelo terceiro dia consecutivo, e após Zelenskiy afirmar que a capital Kiev continuava em mãos ucranianas.

Um pequeno vídeo publicado pelo canal de notícias russo RT, apoiado pelo Estado, que disse ser de sexta-feira, mostrou milhares de combatentes chechenos reunidos na praça principal da capital da região, Grozny, em uma demonstração de prontidão para lutar na Ucrânia.

Em um discurso para a multidão reunida no centro de Grozny, Kadyrov exigiu que o presidente ucraniano pedisse desculpas a Putin.

"Aproveitando esta oportunidade, gostaria de aconselhar o atual presidente Zelensky a convidar nosso presidente, comandante em chefe Vladimir Vladimirovic Putin, e pedir desculpas por não ter feito isso antes. Faça isso para salvar a Ucrânia. Peça perdão e concorde com todos os termos estabelecidos pela Rússia."

Segundo o Daily Mail, um grupo de “caçadores” das forças especiais chechenas recebeu ordens para encontrar, prender ou até mesmo matar oficiais ucranianos procurados. Cada soldado teria recebido um alvo especial, com fotos e descrições de oficiais ucranianos. A lista é seria composta por funcionários e agentes de segurança suspeitos de 'crimes' pelo Comitê de Investigação da Rússia.

O líder checheno já enviou suas forças no exterior para apoiar as operações militares do Kremlin antes, na Síria e na Geórgia.

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