Vídeo liberado pelo Pentágono mostra objeto voador não identificado
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Vídeo liberado pelo Pentágono mostra objeto voador não identificado

Oficiais da inteligência americana não encontraram evidências de que fenômenos aéreos testemunhados por pilotos da Marinha nos últimos anos sejam espaçonaves alienígenas, mas eles ainda não podem explicar os movimentos incomuns que confundiram cientistas e militares. As informações são de funcionários do órgão que tiveram acesso a detalhes de um relatório do governo americano.

O relatório determina que a grande maioria dos mais de 120 incidentes nas últimas duas décadas não se originou de nenhuma ação do exército americano ou de outra tecnologia avançada do governo dos Estados Unidos, disseram as autoridades. Isto parece eliminar a possibilidade de os pilotos da Marinha que relataram ter visto aeronaves inexplicadas possam ter encontrado programas que o governo pretendia manter em segredo.

Mas essa é a única descoberta conclusiva no relatório secreto da inteligência, disseram as autoridades. E enquanto uma próxima versão, que deve ser divulgada ao Congresso em 25 de junho, apresentará poucas outras conclusões firmes, os funcionários da inteligência americana admitiram que a própria ambiguidade das descobertas significa que o governo não pode descartar definitivamente as teorias de que o fenômeno observada por pilotos militares pode ser uma nave alienígena.

O fascínio de longa data dos americanos pelos OVNIs se intensificou nas últimas semanas, em antecipação ao lançamento do relatório do governo, que deverá ser apresentado ao Congresso neste mês. O ex-presidente Barack Obama aumentou ainda mais o interesse quando foi questionado no mês passado sobre os incidentes no programa “The Late Late Show with James Corden” na CBS.

"O que é verdade, e estou falando sério aqui", disse Obama,“é que há filmagens e registros de objetos nos céus que não sabemos exatamente o que são."

O relatório admite que muito sobre o fenômeno observado permanece difícil de explicar, incluindo sua aceleração, capacidade de mudar de direção e submergir. Uma possível explicação — de que os fenômenos podem ser o clima ou outros balões de pesquisa — não se sustenta em todos os casos, disseram os funcionários, por causa das mudanças na velocidade do vento nos momentos de algumas das interações.

O relatório final também conterá um anexo confidencial, disseram as autoridades. Embora esse anexo não contenha nenhuma evidência que conclua que o fenômeno é uma espaçonave alienígena, os oficiais reconheceram que o fato de que permaneceria fora dos limites do público provavelmente continuaria a alimentar especulações de que o governo tinha dados secretos sobre as visitas alienígenas à Terra.

Muitos dos mais de 120 incidentes examinados no relatório são de funcionários da Marinha, disseram as autoridades. O relatório também examinou incidentes envolvendo militares estrangeiros nas últimas duas décadas. Oficiais de inteligência acreditam que pelo menos alguns dos fenômenos aéreos podem ser tecnologia experimental de uma potência rival, provavelmente a Rússia ou a China.

Um funcionário de alto escalão disse sem hesitação que as autoridades americanas sabiam que não se tratava de tecnologia americana. Ele disse que há preocupação entre oficiais de inteligência e militares de que a China ou a Rússia possam estar fazendo experiências com tecnologia hipersônica.

Ele e outras autoridades falaram sob pretexto de anonimato porque não estavam autorizados a falar publicamente sobre as descobertas confidenciais do relatório.

A Rússia tem investido pesadamente em hipersônicos, acreditando que a tecnologia oferece a capacidade de escapar da tecnologia americana de defesa antimísseis. A China também desenvolveu armamento hipersônico e o incluiu em paradas militares. Se o fenômeno fosse aeronaves chinesas ou russas, as autoridades disseram que isso sugeriria que a pesquisa hipersônica das duas potências ultrapassou em muito o desenvolvimento militar americano.

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Os pilotos da Marinha muitas vezes ficavam incomodados com os avistamentos. Em um encontro, objetos estranhos — um deles como um pião movendo-se contra o vento — apareceram quase diariamente do verão de 2014 a março de 2015, no alto dos céus da Costa Leste. Os pilotos da Marinha relataram a seus superiores que os objetos não tinham motor visível ou plumas de escape infravermelho, mas que podiam atingir 30 mil pés e velocidades hipersônicas.

O tenente Ryan Graves, piloto do F/A-18 Super Hornet que esteve na Marinha por 10 anos, disse ao The New York Times em uma entrevista que “essas coisas estariam lá fora o dia todo”. Com as velocidades que ele e outros pilotos observaram, ele disse, “12 horas no ar são 11 horas a mais do que esperávamos”.

No final de 2014, um piloto do Super Hornet quase colidiu com um dos objetos, e um relatório oficial de acidente foi arquivado. Alguns dos incidentes foram gravados em vídeo, incluindo um tirado pela câmera de um avião no início de 2015, que mostra um objeto voando sobre as ondas do mar enquanto os pilotos questionam o que estão assistindo.

O Departamento de Defesa vem coletando esses relatórios há mais de 13 anos, como parte de um obscuro e pouco conhecido Programa de Identificação Avançada de Ameaças Aeroespaciais dentro do Pentágono. O programa analisou dados de radar, imagens de vídeo e relatos fornecidos pelos pilotos e oficiais superiores da Marinha.

O programa começou em 2007 e foi em grande parte financiado a pedido de Harry Reid, o democrata de Nevada que era o líder da maioria no Senado na época. Ele foi oficialmente fechado em 2012, quando o dinheiro acabou, de acordo com o Pentágono. Mas depois da publicação de um artigo do New York Times em 2017 sobre o programa e das críticas de funcionários do programa de que o governo não divulgou relatórios sobre fenômenos aéreos, o Pentágono reiniciou o programa no verão passado como Força-Tarefa de Fenômenos Aéreos Não Identificados.

A missão da força-tarefa era “detectar, analisar e catalogar” avistamentos de objetos estranhos no céu que pudessem representar uma ameaça à segurança nacional. Mas funcionários do governo disseram que também queriam remover o estigma para os membros do serviço que relatam avistamentos de OVNIs na esperança de que mais pessoas sejam encorajadas a falar se virem algo. O objetivo, disseram os oficiais, é dar às autoridades uma ideia melhor do que pode estar lá fora.

No ano passado, o orçamento do presidente Donald J. Trump incluiu uma provisão inserida pelos legisladores de que o secretário de defesa e diretor de inteligência nacional submetam um relatório não confidencial sobre o que o governo sabe sobre os OVNIs. Esse relatório é o que será lançado este mês.

Autoridades informadas sobre o relatório disseram que ele também examinou um vídeo que mostra um objeto oval esbranquiçado descrito como um Tic Tac gigante, do tamanho de um avião comercial, encontrado por dois caças da Marinha na costa de San Diego em 2004.

Nesse incidente, os pilotos relataram uma interação com a nave, que durou vários minutos. Em um ponto, o objeto deu uma arrancada, contou um dos pilotos, o comandante David Fravor, em uma entrevista posterior ao The Times. “Acelerou como nada que eu já vi”, disse ele.

O relatório estuda esse incidente, incluindo o vídeo que acompanhou a interação. A proveniência do objeto ainda é desconhecida, disseram as autoridades.

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