Na ONU, Israel diz que Hamas premeditou conflito
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Na ONU, Israel diz que Hamas premeditou conflito

Enquanto o Conselho de Segurança discutia, neste domingo, uma declaração sobre os confrontos no Oriente Médio —  que segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, podem "desencadear uma crise incontrolável" —  o embaixador israelense nos Estados Unidos e na ONU, Gilad Erdan, acusou o Hamas de ter "premeditado" uma guerra com Israel e de querer "tomar o poder na Cisjordânia". O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Maliki, por sua vez, denunciou a "agressão" de Israel contra o "povo" palestino e seus "lugares sagrados".

Segundo diplomatas, o Conselho está negociando uma declaração, mas o apoio dos Estados Unidos continua incerto.  Com a escalada de violência na região, já são 188 mortos em Gaza, incluindo 55 crianças, desde o início dos confrontos, na última segunda-feira. Em Israel, 10 pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas em ataques com foguetes do Hamas e outros grupos armados de Gaza, como a Jihad Islâmica.

"O Hamas optou por acelerar as tensões, usando-as como pretexto, para iniciar esta guerra. Não há justificativa para o lançamento indiscriminado de foguetes contra a população civil", acrescentou, afirmando que os palestinos "usam escudos humanos" aumentando o número de vítimas civis.

Edran — que celebrou o apoio dado a seu país por Washington — pediu ao Conselho de Segurança que condene os ataques com foguetes e disse que o Estado hebreu "não tinha outra opção" a não ser retaliar os ataques palestinos para detê-los.

O chanceler palestino na ONU, por sua vez, afirmou  que "alguns não querem usar essas palavras — crimes de guerra e crimes contra a Humanidade — mas sabem que é a verdade."

"Israel é implacável e implacável em sua política colonial", acusou Al-Maliki, conclamando o Conselho de Segurança a agir para impedir o ataque. "Quantos palestinos terão que morrer antes que haja uma condenação? Em que momento vão ficar escandalizados?"

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É a primeira reunião pública do Conselho, após duas reuniões privadas na semana passada. Até agora, Washington optou por esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo e considera que uma declaração do Conselho seria "contraproducente". A reunião de emergência foi organizada a pedido da China, Noruega e Tunísia.

"Os Estados Unidos têm trabalhado incansavelmente, por meio dos canais diplomáticos, para tentar pôr fim a este conflito", disse a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, ao conselho de 15 membros. "Porque acreditamos que israelenses e palestinos têm o direito de viver em segurança e proteção".

A posição de privilegiar a diplomacia não é compartilhada pela maioria do Conselho, especialmente os aliados tradicionais de Washington. A China lamentou a "obstrução" dos EUA a uma declaração e instou o Conselho a "agir" para encerrar as hostilidades.

Ao iniciar a sessão virtual de emergência, neste domingo, Guterres reforçou que o "massacre continua".

"Este ciclo insensato de derramamento de sangue, de terror, de destruição, deve parar imediatamente, porque eles podem levar israelenses e palestinos a uma espiral de violência com consequências devastadoras para as duas comunidades e para toda a região", afrimou. "A violência tem o potencial de desencadear uma crise humanitária e de segurança incontrolável e de estimular ainda mais o extremismo, não apenas nos territórios palestinos ocupados e em Israel, mas em toda a região".

Neste domingo, um ataque com um carro contra membros das forças de segurança israelenses em Jerusalém Oriental deixou feridos, informaram a polícia e os serviços de socorro. Os policiais foram atropelados no bairro de Sheikh Jarrah, onde a ameaça de expulsão de quatro famílias palestinas gerou protestos e uma repressão israelense que foi o estopim para o conflito entre Israel e o Hamas, que já dura sete dias.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, disse que a campanha de Israel em Gaza, controlada pelo Hamas, continua com "força total".

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