Céu da Califórnia laranja
Reprodução / Twitter @chrisarnold
Céu da Califórnia ficou nublado com uma cortina de fumaça que deixou o dia com o céu alaranjado

O céu de parte da Costa Oeste dos Estados Unidos ficou laranja nesta quarta-feira (9), por causa dos incêndios florestais que atingem há semanas os estados da Califórnia , Oregon e Washington. Na região da Baía de São Francisco, o sol foi encoberto pela fumaça das chamas e pela neblina matinal, dando à paisagem um aspecto alaranjado escuro e causando a impressão de que ainda era noite, embora já fosse de manhã. Os postes da cidade precisaram ficar ligados ao longo do dia e os carros tiveram que acender os faróis — o mesmo aconteceu em outros municípios da região.

O fenômeno que deixou o céu da Califórnia laranja é comum em regiões próximas a grandes incêndios. Isso acontece porque partículas de fumaça começam a se assentar e bloqueiam os raios solares. Essa é uma das consequências dos diversos focos de queimadas que vêm se espalhando rapidamente pelos três estados americanos, destruindo casas e forçando milhares de pessoas a deixarem a área. 

Pelo Twitter, o Serviço Nacional de Meteorologia da Baía de São Francisco informou que a tendência é que o céu fique ainda mais escuro e a qualidade do ar piore à medida que mais fumaça suspensa na atmosfera desça. 

Assista:



Cidades destruídas

Embora os incêndios florestais sejam comuns na Califórnia durante o verão no Hemisfério Norte, a temporada deste ano já é a mais grave da história moderna do país, quando medida em área queimada. Mais de 1 milhão de hectares de florestas foram destruídos na Califórnia este ano — quase 20 vezes o que havia queimado nesta mesma época no ano passado — e houve mais 2.650 focos de incêndios do que em 2019.

Já em Oregon, as chamas , alimentadas por rajadas de vento de 72 quilômetros por hora, atingiram duas cidades, destruindo mais de mil casas e aumentando o temor de que algumas pessoas possam não ter chance de escapar. O fogo já consumiu cerca de 121 mil hectares, e as autoridades afirmaram que esperam por mais danos.  

A governadora do estado, a democrata Kate Brown, disse nesta quarta-feira que as chamas já devastaram as cidades de Detroit, Blue River, Vida, Phoenix e Talent. O fogo também forçou a saída da população de grande parte de Medford, no sul do estado. Segundo Brown, esta pode ser "a maior perda de vidas humanas e propriedades" causada pelos incêndios. Ela, no entanto, não divulgou nenhum balanço.  O maior número de mortes por incêndios florestais em Oregon ocorreu em 1936, quando 13 pessoas morreram após as chamas lamberem parte da cidade de Brandon.

No estado de Washington, o governador democrata Jay Inslee disse que os 133 mil hectares que foram queimados em todo o estado este ano já são mais do que em cada uma das últimas 12 temporadas de incêndios. Na pequena cidade de Malden, quase todas as casas e edifícios municipais — incluindo o prédio do Corpo de Bombeiros — foram completamente destruídos pelo fogo.

Mudança climática

Embora o clima seco e quente desta época do ano deixe a região mais propícia a incêndios , existe uma ligação entre as chamas nas florestas da Costa Oeste e a mudança climática, disse ao New York Times o especialista em bioclimatologia Park Williams, do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade Columbia 

"Essa conexão com a mudança climática é direta: temperaturas mais altas secam os combustíveis. Em áreas onde eles são abundantes e muito secos, tudo que você precisa é uma faísca", explicou William. "A natureza cria as condições perfeitas para o fogo, desde que haja gente para começá-lo. Mas então a mudança climática, de maneiras diferentes, parece aumentar ainda mais a probabilidade de incêndios no futuro".

Mesmo que as condições sejam adequadas para um incêndio florestal , ainda é preciso de algo ou alguém para acendê-lo. Às vezes, o gatilho é a natureza, como os relâmpagos incomuns que deflagraram as chamas na Califórnia em agosto. Mas, muitas vezes, os humanos são os responsáveis, conforme disse ao jornal americano a pesquisadora do Instituto de Oceanografia Scripps, Nina S. Oakley

Segundo ela, independente do motivo pelo qual as chamas começaram, o homem tende a desempenhar um papel na incidência dos incêndios, e não apenas como um gatilho inicial.  A contribuição humana para que as florestas peguem fogo inclui desde o aquecimento causado pelas emissões de gases do efeito estufa, e consequente aumento da seca, até políticas florestais que suprimem totalmente os incêndios naturais e criam acúmulo de combustível. Para Oakley, esses fatores criam uma "situação favorável ao incêndio florestal". 

    Veja Também

      Mostrar mais