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Divulgação / Governo da Belarus
Alexander Lukashenko é presidente do país há 26 anos.

O presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko , foi reeleito para seu sexto mandato consecutivo na noite deste domingo (9), segundo dados da Comissão Central Eleitoral com 80,23%. A candidata de oposição, Svetlana Tikhanovskaya, obteve 9,9% dos votos.

No entanto, assim que os resultados de boca de urna começaram a ser divulgados, uma onda de protestos foi registrada em diversos pontos do país. Lukashenko, que está no poder desde 1994, é visto por muitos como "o último ditador da Europa" e lidera de maneira autoritária o país.

Antes dessa eleição, vários candidatos da oposição foram presos e impedidos de disputar o cargo. A própria Tikhanovskaya só disputou o pleito porque o marido dela, Sergey Tikhanovsky, foi detido enquanto fazia sua campanha eleitoral.

"Não reconhecemos os resultados das eleições. Nós vimos os dados reais nas sessões. Pedimos para quem acredita que a sua voz foi roubada que não fiquem quietos. Espero que não haja violência se as pessoas quiserem protestar e continuaremos a buscar a condução de um diálogo com as autoridades", disse Tikhanovskaya à "MBK Media".

Segundo dados oficiais do Ministério do Interior, cerca de três mil pessoas foram presas após as manifestações desse domingo, sendo que mil delas foram detidas na capital Minsk e as demais em outras 30 cidades de Belarus. Mais de 50 civis e 40 agentes das polícias ficaram feridos. Um grupo de ativistas local informa que uma pessoa teria morrido, mas a informação não foi confirmada de maneira oficial.

Por sua vez, Lukashenko disse que os manifestantes que saíram às ruas no domingo foram "controlados" por pessoas em outros países e que "os serviços especiais registraram telefonemos da Polônia, Grã Bretanha e República Tcheca".

- Comunidade internacional: Principal aliado de Lukashenko, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi o primeiro a se manifestar sobre a eleição, dando parabéns ao líder - mesmo que recentemente a relação tenha ficado abalada com a prisão de 33 supostos militantes russos.

De acordo com a agência Tass, o chefe do Kremlin afirmou que "espera que a vossa atividade estatal contribua com futuros desenvolvimentos das relação reciprocamente vantajosas entre Rússia e Belarus em todos os setores".

Putin citou a "profunda colaboração" em diversas entidades político-econômicas internacionais e ainda destacou que "não há dúvida" que essa parceria "serve para os interesses fundamentais dos povos irmãos" das duas nações.

O presidente da China, Xi Jinping, também se manifestou, parabenizou Lukashenko, e disse que espera continuar o desenvolvimento bilateral da relação, considerada "de grande importância" pelos chineses.

"Essa é uma parceria estratégica completa, que expande uma cooperação de benefícios recíproco em vários campos de maneira a criar novos benefícios às respectivas populações e aos dois países", disse ainda Jinping.

Por sua vez, a União Europeia se manifestou pedindo divulgação mais clara dos votos. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também falou sobre o assunto e criticou a violência do Estado contra os manifestantes.

"A violência contra quem protesta não é a resposta. A liberdade de expressão, de reunião e os direitos humanos devem ser apoiados", disse Michel.

Quem também se manifestou foi o governo da chanceler alemã Angela Merkel. Segundo seu porta-voz, Steffen Seibert, o processo eleitoral "não é aceitável" porque não respeitou "os padrões democráticos mínimos". A eleição em Belarus não teve a presença de observadores internacionais.


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