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Reprodução/Facebook
Sob o comando de Merkel, Alemanha dá exemplo de como enfrentar a ameaça do novo coronavírus

Nesta segunda-feira (20), a Alemanha começa a reabrir parte do comércio do país, que estava fechado há mais de um mês, e dá novo passo rumo ao reestabelecimento da ordem normal e da rotina após a crise gerada pela pandemia do Covid-19 no país.

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A informação foi confirmada pela primeira-ministra Angela Merkel, em conjunto com governadores. Entretanto, essa reabertura só será levada em frente, segundo afirmou ela, se o número de testes continuar crescendo e a população seguir respeitando as regras de distanciamento físico (novo termo de distânciamenrto social adotado pela OMS), evitando aglomerações e riscos de contágio.

Tal decisão só acontece porque a Alemanha vem se preparando de forma exemplar para isso. Mesmo sendo um dos países mais atingidos pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), com mais de 145 mil casos confirmados, o número de mortes é baixo, a taxa de letalidade é de 3,1% e o número de pacientes curados já supera o de contaminados.

Alguns fatores ajudam a explicar esse cenário: no país, as regras de isolamento são rígidas, acarretando em pesadas multas para quem as desrespeita, a testagem da população é uma das maiores do planeta, e, acima de tudo, o governo conta com o apoio da população.

"Saiu, é multa"

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Reprodução/Arquivo pessoal
Morando em Berlim, Felipe explica regras de distanciamento na cidade

"Cada estado dentro da Alemanha está tratando a questão de uma maneira. Os que estão mais próximos das fronteiras com Holanda, Áustria, Suíça e, portanto, mais vulneráveis, acabaram adotando normas mais rígidas, na linha do saiu, é multa. Aqui em Berlim, eles adotaram algumas regras, como a de só poder sair sozinho ou até três da mesma família, e sempre mantendo o distanciamento social", afirma Felipe Maul, brasileiro que mora na cidade há um ano e meio.

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Segundo ele, passou a vigorar na capital alemã uma série de regras sobre o que pode ser feito nas ruas e o que passou a ser proibido. O governo, inclusive, criou um site para informar a população sobre as punições de cada caso: elas vão das mais simples, como não manter distância de 1,5 m em locais públicos (que custam cerca de R$ 143), até as mais extremas, como abrigar um turista dentro de casa (que valem mais de R$ 57 mil).

"Mesmo com as orientações , ainda tinha um grupo de pessoas que estavam fazendo churrasco no parque, que não estava ligando muito. Então, eles tiveram que ir apertando o cinto, mas ainda assim evitando o fechamento geral. Não existe uma fiscalização propriamente dita porque não está proibido sair, mas a gente nota a polícia observando. Se eles veem algo que fere as regras, vão em cima. Se não, vida que segue", afirma Felipe.

Testes e mais testes

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Reprodução/Arquivo pessoal
Estabelecimentos de Berlim fizeram marcações para definir distância segura

Outro ponto importante do combate, e que fez o ministro da Saúde declarar, na última semana, que o vírus já estava sob controle, é a alta testagem da população. Diferentemente do que ocorre no Brasil, que tem população muito maior e analisa apenas uma pequena parcela, os alemães têm tido acesso aos kits, o que coloca o país entre os primeiros nos números de casos confirmados e auxiliar o governo na estratégia de contenção.

Em Berlim, por exemplo, foi criado um site que lista todos os "centros de examinação do coronavírus ". Assim, todo cidadão tem a oportunidade de escolher um que fique próximo da sua residência e realizar o teste do Covid-19 caso apresente algum tipo de sintoma.

União fazendo a força

Por fim, a mentalidade do povo alemão também ajuda no combate e na expansão da doença . Acostumado a ter um sentido de união, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando o país foi arrassado e teve que se reerguer praticamente do zero, os alemães entendem que é preciso seguir as regras. Além disso, a menor desigualdade social também é um facilitador.

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"As pessoas vivendo aqui, de forma geral, são muito 'segue a regra'. O que o governo falou, está falado. Não tem muita discussão. E também não se vê uma pessoa ganhando 50 mil euros por mês e outra ganhando 2 mil. Existe diferença se a pessoa é CEO, se tiver posição mais alta. Mas nos cargos normais, quem ganha um salário mínimo consegue ter uma vida confortável. Então, não existe muito essa discussão. Tem que ficar em casa, senão vai morrer", finaliza.

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