Argentina
Reprodução/Twitter Alberto Fernández
Alberto Fernández decidiu pelo envio após encontro com o Papa Francisco

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, surpreendeu até mesmo seus colaboradores ao comunicar, numa palestra no Instituto de Estudos Políticos Sciences Po, de Paris, sua decisão de enviar ao Parlamento um projeto de lei para descriminalizar o aborto no país.

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Menos de uma semana após ter sido recebido pelo Papa Francisco e conversado com as mais altas autoridades da Santa Sé sobre "a necessidade de proteger a vida desde sua concepção",  como informou comunicado oficial do Vaticano, Fernández foi enfático ao defender a realização de abortos em hospitais públicos argentinos.

"Me desculpem, mas a hipocrisia nunca se deu bem comigo. Por isso, fiz a proposta de enviar uma lei que termine com a punição ao aborto e permita o atendimento de qualquer caso em hospital público", declarou Fernández, confirmando a posição que manteve durante a campanha eleitoral de 2019.

Em seu discurso de posse, em 10 de dezembro do ano passado, o presidente argentino também expressou seu apoio à antiga demanda de grupos feministas argentinos, que nos últimos anos intensificaram a pressão ao Executivo e Legislativo. Em 2018, a Câmara aprovou um projeto de legalização do aborto, mas a medida acabou barrada no Senado.

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A reação da Igreja ao anúncio do presidente foi imediata. A Conferência Episcopal argentina convocou para o próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma missa na famosa Basílica de Luján, na província de Buenos Aires, com o lema "Sim à mulher, sim à vida".

Alberto Fernández disse que quer evitar uma polarização da sociedade argentina e, por isso, incluirá no projeto a necessidade de dar assistência a mulheres vulneráveis que desejem ter seus filhos.

Segundo o chefe de gabinete, Santiago Cafiero, o governo tentará aprovar primeiro a descriminalização para depois avançar na legalização.

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"Não vamos obrigar ninguém a abortar. Vamos cuidar das grávidas que quiserem realizar o aborto e dar possibilidades a quem precise", afirmou Cafiero, um dos braços direitos do presidente argentino.

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