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Segundo informações do jornal New York Times, aiatolá Ali Khamenei teria ordenado que resposta seja proporcional e direta contra norte-americanos

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Aljarida / Reprodução
Chefe supremo do Irã prometeu vingança pela morte do general

O Irã considera 13 "cenários de vingança" em retaliação ao ataque aéreo americano que assassinou o general Qassem Soleimani, comandante das Forças Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária. Em paralelo, o Parlamento do país aprovou uma lei que designa como "terroristas" o Departamento de Defesa e todas as Forças Armadas dos Estados Unidos.

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Segundo a mídia estatal, o presidente do Conselho Supremo de Segurança Nacional Ali Shamkhani, disse que as 13 opções estão sendo discutidas pelo grupo "e que mesmo um consenso sobre o cenário mais fraco pode ser um pesadelo histórico para os americanos".

"Eu posso apenas prometer à nação iraniana que a vingança não deverá acontecer em apenas uma operação", disse Shamkhani, afirmando ainda que o Irã está acompanhando de perto “todos os pequenos passos” das tropas americanas “em suas 19 bases, incluindo as 11 que estão mais perto das fronteiras leste e oeste, e oito bases no norte e no sul do Irã que estão em alerta máximo.

Em paralelo, o Paralemento do país votou uma lei que designa como "terroristas" todas as Forças Armadas dos Estados Unidos A medida é uma emenda a um projeto recente que dava a classificação às tropas americanas localizadas desde o Chifre da África até a Ásia Central, passando pelo Oriente Médio.

"Qualquer ajuda a estas Forças, incluindo as militares, de Inteligência, financeiras, técnicas, de serviço ou logísticas será considerada como cooperação a um ato terrorista", diz a emenda.

Segundo três fontes ouvidas pelo New York Times, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, fez uma rara aparição no Conselho Supremo de Segurança Nacional horas após o ataque que matou Soleimani na sexta-feira. Durante a reunião, Khamenei teria determinado os parâmetros para uma retaliação: um ataque proporcional e direto contra os interesses americanos.

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O tom é similar ao adotado pelo chanceler Mohammad Javad Zarif, em uma entrevista concedida à CNN nesta terça-feira. Segundo o ministro, o assassinato de Soleimani é um ato de “terrorismo estatal” e que o Irã irá responder “proporcionalmente, e não desproporcionalmente”. Ele disse ainda que seu país “não é sem lei, como o presidente Trump”.

Mudança de práticas

O chanceler também criticou a ameaça de Trump de atacar 52 locais no Irã, incluindo pontos importantes para a cultura iraniana, caso a República Islâmica faça ataques contra americanos ou seus interesses. Pela lei internacional, destruir deliberadamente centros e locais culturais de um país é considerado crime de guerra.

Para Zarif, Trump mostrou ao mundo que “está preparado para cometer crimes de guerra, porque atacar pontos culturais é um crime de guerra. Resposta desproporcional é um crime de guerra”.

Isto, na prática, se afasta bastante da atuação de praxe do regime. Desde a Revolução Iraniana de 1979, Teerã geralmente esconde sua operação por trás de ataques realizados pelos grupos paramilitares que cultiva na região. O ataque direto contra um representante do Estado iraniano — prática incomum em tempos de paz — e amigo pessoal do aiatolá, no entanto, faz com que o Irã possa deixar de lado suas táticas tradicionais.

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Até o momento, o governo americano baseava-se no cálculo de que Trump não queria uma guerra do Oriente Médio, mas as ameaças que seguiram o assassinato de Soleimani, segundo analistas iranianos ouvidos pelo Financial Times, exige que o governo atue com mais cautela. A resposta imediata, segundo fontes do jornal britânico, deverá englobar esforços para reduzir a influência americana no Oriente Médio.