O ativista Joshua Wong , um dos líderes dos protestos pró-democracia em Hong Kong, anunciou neste sábado que disputará as eleições locais do próximo mês de novembro. A notícia chega no aniversário de cinco anos da Revolução dos Guarda-Chuvas, movimento que ocupou o centro da ex-colônia britânica por 79 dias em 2014 para pedir eleições livres no território.

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Joshua Wong
Reprodução/Instagram/@joshua1013
Joshua Wong, líder de protestos em Hong Kong, anuncia candidatura


O ativista chegou a ser condenado por seu papel nas manifestações daquele ano e ficou dois meses preso no primeiro semestre de 2019. Após sair da cadeia, se juntou aos protestos contra a chefe do Executivo de Hong Kong , Carrie Lam.

Wong, de 22 anos, disse que vai disputar uma vaga em um conselho distrital em novembro e que a votação será crucial para mostrar à China que os habitantes de Hong Kong estão dispostos a lutar por mais direitos. "Cinco anos atrás, dissemos que voltaríamos, e agora nós estamos de volta ainda mais determinados", disse o ativista em uma entrevista coletiva. O jovem, no entanto, pode ser declarado inelegível por causa de seu apoio à autodeterminação do território.

A onda de protestos em Hong Kong já dura cerca de cinco meses e teve início por conta de um projeto de lei que autorizaria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental, que defensores dos direitos humanos temiam que fosse usado contra ativistas.

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Conforme as manifestações foram se tornando mais violentas, com confrontos entre opositores e policiais, coquetéis molotov, gases lacrimogêneos e milhares de prisões, o governo local se viu obrigado a cancelar o projeto, no início de de setembro.

Quando isto finalmente aconteceu, no entanto, já era tarde demais. Os protestos haviam adquirido outras demandas: o estabelecimento de um inquérito sobre a violência policial, a libertação dos detidos, que as manifestações não sejam designadas como "rebeliões" e eleições diretas para o cargo de chefe do Executivo da cidade, atualmente escolhido por uma comissão de 1.200 pessoas majoritariamente favoráveis a Pequim.

Gás lacrimogêneo

Os manifestantes voltaram às ruas neste sábado e ocuparam o Parque Tamar, em mais um ato marcado pela repressão da polícia. A manifestação começou pacífica em um parque ao lado do porto quando a violência eclodiu. O parque fica em frente aos escritórios do governo e ao Conselho Legislativo local, provocando violentas batalhas nas ruas com a polícia.

A polícia disparou água azul, usada em outros países para ajudar a identificar os infratores, enquanto os manifestantes se reagrupavam a 100 metros.

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Os participantes atiraram pedras, quebraram janelas de escritórios públicos e bloquearam uma estrada importante perto da sede local do Exército de Libertação Popular da China (PLA, na sigla em inglês). Os agentes usaram sprays de pimenta, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão, que reagiu com coquetéis molotov.

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