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Primeiro-ministro Hubert Minnis afirmou que esta é uma das maiores crises que o país já enfrentou em sua história: "Podemos esperar mais mortes"

Imagens aéreas mostram destruição das Bahamas após passagem do furacão Dorian arrow-options
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Imagens aéreas mostram destruição das Bahamas após passagem do furacão Dorian

Os sobreviventes do furacão Dorian vasculharam destroços em meio às casas destruídas pelos ventos violentos em busca de pertences, lutaram para abastecer geradores de energia e
fizeram fila para comer nesta quarta-feira (4) depois de um dos maiores furacões que já passou pela região devastar parte das Grande Bahamas e as Ilhas Ábaco.

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De acordo com o o Programa Mundial de Alimentos da ONU , pode ser necessário comida para 14.500 pessoas nas Ilhas Ábaco e 45.700 pessoas na Grande Bahama. À noite, o Ministério
da Saúde do país informou que o número de mortes confirmadas chega a 20.

Imagens áereas de Ábaco mostraram quilômetros de bairros inundados, barcos virados para cima e contêineres espalhados. Muitos edifícios tiveram seus telhados ou paredes
parcialmente arrancados. No aeroporto de Freeport, um avião foi partido ao meio, com hangares severamente danificados e espalhados.

Segundo a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e da Meia-Lua Vermelha (IFRC), cerca de 13 mil casas nas Bahamas podem ter sido destruídas ou muito
danificadas.

"Estamos no meio de uma das maiores crises nacionais da história do país. Podemos esperar que mais mortes sejam registradas. Esta é apenas uma informação preliminar", disse o
primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, em entrevista coletiva, quando o número de mortos ainda estava em sete pessoas .

De acordo com dados da Cruz Vermelha , dos 400 mil habitantes das Bahamas, estima-se que cerca de 76 mil pessoas tenham sido afetadas pelo ciclone. O secretário-geral adjunto
para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, afirmou que 70 mil pessoas precisam de ajuda.

"Há inundações graves, danos sérios nas casas, comércios, outras edificações e infraestrutura. Não nos restou nada", acrescentou Minnis. 

"Não nos restou nada", também disse Meghan Bootle, de 21 anos. Ela e a irmã mais nova, Raevyn, ambas residentes de Ábaco, perderam todos os pertences com a devastação do furacão. "Esperamos que o governo permita a aterrissagem de aviões, que envie barcos e ajude as pessoas a saírem da ilha", disse a irmã de Meghan.

Martysta Turnquest, prima das irmãs Bootle, é de uma parte de Ábaco da qual não se tem notícias desde domingo, quando o Dorian tocou terra na ilha como furacão de categoria 5,
com ventos de pouco menos de 300 km/h.

"Ainda há um monte de gente de outros assentamentos de quem não se sabe nada. Não há serviço de telefonia móvel", disse.

O diretor regional adjunto para as Américas da Cruz Vermelha, Stephen McAndrew, afirmou que, com o furacão se distanciando, a velocidade na condução das operações de resgate é
essencial. "Agora que o Dorian está de afastando das Bahamas, há uma janela de oportunidade para salvar vidas e começar a aliviar o sofrimento destas comunidades", disse em
comunicado.

Bairros inundados e casas destruídas após passagem do furacão Dorian arrow-options
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Bairros inundados e casas destruídas após passagem do furacão Dorian

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Esforços de resgate

Também se juntaram às equipes de resgate nesta quarta-feira a Guarda Costeira americana e a Marinha Real britânica com helicópteros, conduzindo evacuações médicas e avaliações
aéreas para ajudar a coordenar os esforços de alívio, assim como voos de reconhecimento para avaliar os danos.

"Estamos pegando alguns suprimentos de outros lugares, incluindo aFlórida , onde não tivemos que usá-los, e vamos enviá-los para as Bahamas, onde realmente precisam muito,
porque foi um golpe muito duro", disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a jornalistas no Salão Oval.

As companhias de cruzeiro Royal Caribbean e Disney Cruise também prometeram milhões de dólares em fundos para ajudar as operações de emergência nas Bahamas, um de seus destinos
mais visitados.

Ainda que reduzido categoria 2, o Dorian ainda se desloca para os Estados Unidos , apresentando um risco para os americanos. Com ventos de 165 km/h, ele pode atingir os estados da Flórida, Geórgia , Carolina do Sul eCarolina do Norte , segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC) americano, com sede em Miami.

O NHC também alertou para os riscos de inundações repentinas, com risco de vida, causadas por chuvas fortes e tempestades.

Apesar da redução do furacão, Trump pediu cautela aos americanos. "Pode ser que os Estados Unidos tenham um pouco de sorte a respeito do furacão Dorian, mas, por favor, não baixem a guarda", tuitou o presidente. "Enquanto segue para a costa, podem acontecer coisar muito ruins e imprevisíveis."

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As autoridades declararam estado de emergência em grande parte da costa leste do país, onde milhões de habitantes poderiam estar na trajetória de Dorian . O Pentágono informou
que 5 mil membros daGuarda Nacional e 2.700 militares estão prontos para atuar em caso de necessidade.