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Palavras do presidente — que disse que deputadas deveriam 'voltar a seus lugares de origem' — repercutiram mal, mesmo entre importantes nomes do Partido Republicano

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Flickr/The White House
Donald Trump pode sofrer processo de impeachment


As quatro congressistas democratas atacadas pelo presidente americano Donald Trump no Twitter se reuniram numa coletiva em Washington nesta segunda-feira, e criticaram as palavras de Trump enquanto alertaram a população a “não morder a isca”, evitando o que classificaram como “uma distração” por parte do presidente.

Numa série de publicações no Twitter no domingo, Trump afirmou que as congressistas “progressistas” do Partido Democrata deveriam “voltar a seus países de origem”. 

“É interessante ver mulheres congressistas ‘progressistas’ do Partido Democrata , que originalmente vêm de países cujos governos são uma completa catástrofe, os piores, os mais corruptos e mais ineptos do mundo, agora dizendo em alto e bom som ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação da Terra, como nosso governo deve funcionar. Por que elas não voltam e ajudam a consertar os lugares falidos e infestados de crimes de onde vieram, e então nos dizem como fazer as coisas? Esses lugares precisam desesperadamente de sua ajuda e tenho certeza de que [a líder democrata na Câmara] Nancy Pelosi ficaria feliz em arrumar rapidamente suas viagens”.


Em depoimentos curtos, Ayanna Pressley, Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib voltaram a levantar a possibilidade de um impeachment de Trump, eleito em 2016, e condenaram as palavras de Trump.

"Essa é uma distração que desvia a atenção de temas importante para o povo americano", afirmou Pressley, representante de Massachusetts. —

Muçulmana, nascida na Somália, e alvo de Trump e de representantes republicanos por suas críticas ao governo de Israel, a congressista Ilhan Omar, de Minnesota, disse que trabalhará pelo impeachment do presidente.

"Não fiz do impeachment um tema central de minha campanha ou de meu mandato" — afirmou Omar. "Mas não trata de saber se ele sofrerá impeachment, mas sim de quando ele sofrerá impeachment. É hora de impedirmos que esse presidente continue a fazer chacota deste país".

O pedido de Omar foi ecoado por Rashida Tlaib, deputada filha de imigrantes palestinos e eleita pelo estado de Michigan.

"Muitos membros do Congresso pediram seu impeachment", afirmou Tlaib. 

Já Ocasio-Cortez, eleita pelo estado de Nova York, relembrou uma visita a Washington na infância e mandou uma mensagem às crianças americanas.

"Não importa o que o presidente diga, esse país pertence a vocês", disse a congressista. "Pertence a todos nós. E hoje e no último fim de semana, essa ideia foi colocada em disputa. Então não estou surpresa que o presidente diga que quatro congressistas devem voltar para seus países de origem, já que ele é alguém que autoriza batidas sem mandados judiciais contra milhares famílias em todo país. Não é uma surpresa que ele use essa retórica quando ele é alguém que viola direitos humanos internacionais separando milhares de crianças de suas famílias. Não é uma surpresa que ele faça isso. Mentes e líderes fracos questionam a lealdade ao país para evitar debater suas políticas"

Durante os pronunciamentos, Trump — que já havia voltado ao Twitter para condenar a linguagem das congressistas, e classificá-las como “comunistas antissemitas e anti-americanas” — voltou a criticar o grupo.

“Nunca seremos um país socialista ou comunista. SE VOCÊ NÃO ESTÁ FELIZ AQUI, PODE IR EMBORA! É uma escolha somente sua. Estamos falando de amor pelos Estados Unidos. Certas pessoas ODEIAM nosso país, são anti-Israel e pró-al-Qaeda. Democratas esquerdistas radicais querem fronteiras abertas, o que significa drogas, crime, tráfico humano e muito mais”, afirmou o presidente. “Os democratas estão tentando se distanciar das quatro ‘progressistas’, mas agora se veem obrigados a abraçá-las. Isso significa que eles estão apoiando o socialismo, o ódio por Israel e pelos EUA! Nada bom para os democratas!”, escreveu Trump .