Tamanho do texto

Favorito ao cargo de premiê e capaz de resolver o impasse do Brexit, ele se enrola por causa de uma briga com a namorada e vê seu futuro ameaçado

IstoÉ


Carrie Symons
Divulgação
Carrie Symons, namorada de Boris Johnson, candidato a premiê britânico

O favoritismo que permeava a campanha de Boris Johnson, do Partido Conservador, para suceder Theresa May como primeiro-ministro do Reino Unido sofreu uma forte perturbação e ameaça naufragar. Na manhã da sexta-feira passada, um morador do sul de Londres telefonou para a polícia após ouvir brigas entre um homem e uma mulher no apartamento ao lado. Era Johnson e sua atual namorada, Carrie Symons, que foi chefe de comunicação do Partido Conservador , onde trabalhou por oito anos. O vizinho disse ter escutado frases como “saia de cima de mim” e “saia do meu apartamento” e gravou parte da briga. Afirmou também ter ouvido barulhos que se pareciam com pratos sendo atirados contra as paredes. O relacionamento dos dois é recente, a primeira aparição pública do casal foi apenas neste mês. Johnson se separou da antiga esposa em 2018 e logo depois começaram rumores de seu relacionamento com Carrie, de 31 anos.

A aparição nas páginas policiais foi um golpe na liderança absoluta do ex-prefeito de Londres nas pesquisas. Havia levantamentos que colocavam a liderança de Boris Johnson sobre o segundo colocado, o secretário de Estado para Assuntos Exteriores, Jeremy Hunt, em 27 pontos percentuais entre os votantes do Partido Conservador. Após a batida policial, a distância caiu para 11 pontos.

Já entre o público geral, Jeremy Hunt aparece agora três pontos à frente, mas chegou a oito pontos antes do incidente. A disputa é importantíssima, pois o vencedor deverá retomar as negociações pelo Brexit, que têm sido muito complicadas e contam com apoio apenas parcial do Parlamento Britânico.

Leia também: Boris Johnson tem vitória esmagadora em segunda rodada de eleição no Reino Unido

Situação complicada

Hunt
Tolga Akmen
Menos radical do que Johnson, Hunt é defensor de termos mais brandos para o Brexit

Hunt tem um passado em relação ao Brexit um pouco diferente de Johnson. Ao contrário de seu adversário, Hunt foi contra a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), defendendo a permanência na época do referendo, em 2016. Ele chegou a pedir até por uma segunda consulta popular após o resultado das urnas. Um ano depois, afirmou ter mudado de ideia quanto à saída do bloco pelo que chamou de “arrogância da comissão de Brexit da UE”, mas seguiu expressando algumas preocupações principalmente de cunho econômico. Ele considera essencial um acordo para o Brexit e só firmaria a saída da UE sem nenhuma negociação “em último caso”, considerando que seria um “suicídio político”.

A situação de Johnson ficou mais complicada porque ele se recusa a oferecer explicações para o ocorrido. Durante sua primeira aparição pública após a altercação, no debate do Partido Conservador, ele fugiu de perguntas sobre a suposta briga com a companheira. O mais próximo de um pronunciamento até o momento foi uma foto publicada em alguns jornais britânicos, em que ele aparece numa paisagem campestre, romântica, junto de Carrie, segurando a mão da namorada. Boris se recusa a dizer a data da foto – especula-se que seja de domingo 23, dois dias antes do bate-boca. E também não dá explicações sobre quem vazou a imagem para os jornais. Há a suspeita de que tenha sido um movimento de relações públicas de sua campanha, com a finalidade de traçar a narrativa de que “está tudo bem” entre os dois.

Leia também: Johnson diz que Brexit acontecerá com ou sem acordo: "Precisamos sair"

Boris Johnson já chegou a ser apontado como predileto até por Donald Trump, que teve desavenças com o atual prefeito de Londres, Sadiq Khan. Agora, não faltam críticas para o até então favorito para ser primeiro-ministro. A mais forte delas veio de John Griff, um dos maiores doadores do Partido Conservador e que contribuiu com cerca de quatro milhões de libras nos últimos seis anos. “Ele não pode esperar que o apoiemos enquanto não explicar detalhes do ocorrido”, disse Griff. A votação para premiê do Reino Unido deve ocorrer na semana do dia 22 de julho. Até lá, quem sabe, Johnson já falou alguma coisa. Mas, dependendo do que tiver acontecido, permanecer em silêncio pode ser a sua melhor alternativa. Afinal, certos relacionamentos são muito mais complicados do que a liderança do Brexit.