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Político é acusado de oferecer ajuda para juiz em troca do vazamento de informações sigilosas de outra investigação; ele nega as irregularidades

Nicolas Sarkozy
Reprodução/France24
Ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy perde último recurso e será julgado corrupção

O ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, perdeu nesta quarta-feira (19) o último recurso para evitar ser julgado por corrupção e tráfico de influência, informou seu advogado.
Sarkozy, que agora irá a julgamento, é acusado de oferecer ajuda a um juiz, que ganharia uma promoção em Mônaco em troca do vazamento de informações sigilosas de outra
investigação.

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O caso surgiu após os investigadores terem grampeado os telefones de Sarkozy e de seu advogado Thierry Herzog para examinar alegações de que o ex-líder líbio Muammar Gaddafi
financiou a bem-sucedida campanha de Sarkozy para a Presidência em 2007.

Enquanto escutavam as ligações, os investigadores começaram a suspeitar que o ex-presidente havia oferecido uma promoção ao juiz Gilbert Azibert em troca de informações
sigilosas sobre uma investigação paralela, ligada a acusações de que Sarkozy aceitou pagamentos ilícitos da herdeira da L'Oreal Liliane Bettencourt para a mesma campanha
presidencial. O ex-presidente foi inocentado das acusações ligadas a Bettencourt.

O tribunal de cassação rejeitou nesta terça-feira (18) os últimos recursos de Sarkozy, do seu advogado Herzog e do alto magistrado, o que significa que os três serão julgados
por "corrupção" e " tráfico de influência ".

Esta é a primeira vez desde a fundação da V República francesa, em 1958, que um ex-presidente será julgado por corrupção . Sarkozy, que foi presidente de 2007 a 2012, se
aposentou da política em 2016.

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Seus advogados argumentaram que os magistrados que investigavam o suposto financiamento secreto da Líbia ultrapassaram o próprio mandato e que perseguiram Sarkozy, gravando conversas de modo a violar o sigilo entre advogado e cliente.

A equipe de defesa de Sarkozy também disse que o uso de escutas telefônicas violou uma decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

"Essas questões legais ainda são relevantes", disse Jacqueline Laffont, advogada de Sarkozy. "Caberá ao tribunal decidir se um tribunal francês pode anular uma decisão do
Tribunal Europeu dos Direitos Humanos", acrescentou.

Sarkozy perdeu o cargo para o socialista François Hollande quando concorreu à reeleição. Ele perdeu a imunidade presidencial um mês depois de deixar o cargo e, desde então,
enfrentou uma série de investigações sobre supostas irregularidades por corrupção, fraude, favoritismo e financiamento de campanhas.

O revés para Sarkozy acontece apenas um mês depois de o Conselho Constitucional da França abrir caminho para o ex-presidente ser julgado por um caso relacionado ao suposto
financiamento ilegal de sua fracassada campanha à reeleição em 2012.

O chamado caso "Bygmalion" contra Sarkozy centra-se em acusações de que o partido político do ex-presidente, então conhecido como UMP, trabalhou em parceria com uma empresa de
relações públicas para esconder o verdadeiro custo de sua campanha. A França estabelece limites rigorosos para os gastos eleitorais. Promotores alegam que a firma de relações
públicas, chamada Bygmalion, faturou a UMP em vez da campanha, permitindo que Sarkozy gastasse quase o dobro da quantia permitida.

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Sarkozy nega qualquer irregularidade e também recorreu no caso Bygmalion.