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Javier Matías Darroux Mijalchuk procura agora irmão ou irmã, já que sua mãe estava grávida quando desapareceu capturada pele regime, em 1977

Avós da Praça de Maio
Reprodução/Twitter/AvósdaPraçadeMaio
Avós da Praça de Maio encontram Javier Matías Darroux Mijalchuk, 130º neto roubado durante ditadura argentina

O grupo ativista Avós da Praça de Maio apresentou nesta quinta-feira (13) a identidade de uma das crianças desaparecidas na ditadura militar argentina : Javier Matías Darroux Mijalchuk, o 130º neto roubado que foi identificado. Ele foi retirado dos pais em dezembro de 1977, quando ambos desapareceram em uma emboscada do regime.

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"A restituição da minha identidade é para mim uma homenagem aos meus pais, uma carícia na alma", disse o homem identificado pelas Avós da Praça de Maio , agradecendo especialmente ao tio biológico Roberto Mijalchuk por tê-lo procurado por 40 anos.

Sensibilizado com a persistência, ele pediu que pessoas na mesma situação "busquem coragem" para lutar pela aproximação de suas famílias verdadeiras. Javier sabia que tinha sido adotado e, apesar de se sentir confortável com sua família adotiva, começou a suspeitar, já adulto, que poderia ser filho dos desaparecidos na ditadura.

"Eu sempre dizia que tinha certeza de que (meus pais) poderiam estar desaparecidos, mas eu estava bem com quem eu era e não me convencia em começar as buscas", afirmou.

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Agora, Javier tenta descobrir o que aconteceu com os pais, desaparecidos desde então. O argentino também quer saber o paradeiro de um irmão ou irmã — a mãe dele, Elena Mijalchuk, estava grávida quando desapareceu.

A associação presidida por Estela de Carlotto estima que cerca de 500 bebês foram roubados durante a ditadura de suas mães, a maioria opositoras ao regime que deram à luz em centros clandestinos de detenção e tortura e nunca reapareceram.

"Para nós, encontrar mais um neto e chegar à marca de 130 é um prêmio mais que merecido", disse Carlotto.

Em 1987, o Congresso criou, mediante uma lei, o Banco Nacional de Dados Genéticos, que desde então se encarrega de resolver a filiação das meninas e crianças apropriadas durante a última ditadura.

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Em todo este tempo, o banco foi somando técnicas avançadas de identificação genética e legista e em 2009 sancionou uma nova lei que hierarquizou a instituição. O grupo das Avós da Praça de Maio foi fundado em 1977.