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Vitorioso nas eleições de abril, mas sem maioria absoluta no Parlamento, premiê não conseguiu fechar aliança com o partido ultranacionalista

 Benjamin Netanyahu
Alan Santos/Presidência da República
O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disputou eleições para se manter no cargo em Israel

As negociações se estenderam até o último minuto, mas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, vitorioso nas eleições de 10 de abril, não conseguiu formar uma nova coalizão de governo majoritária no Knesset, o  Parlamento do país. Com isso, a maioria dos deputados aprovou na noite desta quarta-feira a dissolução do Parlamento, abrindo caminho para novas eleições , que deverão ser realizadas em 17 de setembro. 

O  impasse aconteceu por causa de divergências entre o Likud, partido do primeiro-ministro , e dois de seus potenciais parceiros de coalizão, o ultranacionalista Yisrael Beiteinu, comandado pelo ex-ministro da Defesa, Avigdor  Lieberman, e os partidos ultraortodoxos.

As divisões entre o Yisrael  Beitenu, partido ultranacionalista de Lieberman, e o Judaísmo da Torá, por causa de uma lei de recrutamento militar que rege as isenções para os estudantes do seminário ultra-ortodoxos, levaram as negociações da coalizão a um impasse. Os cinco assentos parlamentares que o Yisrael Beitenu ganhou nas eleições de abril são cruciais para que Netanyahu  ganhe uma maioria parlamentar.

Em um esforço para obter um acordo com ambos os lados, Netanyahu apresentou uma nova proposta, na qual o projeto de lei defendido por Lieberman  seria levado a votação após a formação da coalizão, enquanto os dois lados continuariam a negociar até uma votação final.

Como os projetos de lei devem ser aprovados em três votações no Congresso para entrarem em vigor, a oferta de Netanyahu  parecia se apoiar na ideia de que todos os israelenses ultra-ortodoxos seriam obrigados a servir o Exército caso nenhuma lei seja aprovada até julho, as legendas religiosas teriam um incentivo para aprovar o projeto de Lieberman.

Durante as negociações, o Likud chegou a lançar um comunicado afirmando que as negociações estavam, encerradas, e que 60 deputados haviam concordado em se juntar ao governo, entre eles, quatro parlamentares do partido de centro-direita Kulanu.

O presidente da legenda, Moshe Kahlon, afirmou que o Kulanu não assinara nenhum acordo de coalizão, e que não assinaria a menos que Netanyahu  contasse com o apoio de 61 deputados (número que configuraria uma maioria parlamentar no Knesset) e que Kahlon ficasse com o Ministério da Fazenda.

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Comentaristas políticos e membros do Likud sugerem que o verdadeiro motivo do impasse é a intenção de Lieberman, de suceder Netanyahu e liderar a direita de Israel.  Ministro da Infraestrutura e dos Transportes durante o governo de Ariel Sharon, vice-primeiro-ministro no governo de Ehud Olmert, e ministro das Relações Exteriores e da Defesa no governo de Netanyahu, Liebreman é constantemente visto como o fiel da balança nas formações dos governos israelenses, e sua insistência para que membros de comunidades ultra-ortodoxas sirvam o Exército gerou incômodo nas legendas religiosas, em especial, o Judaísmo Unido da Torá.

"Israel terá novas eleições porque Netahyahu se rendeu aos ultra-ortodoxos", bradou Lieberman durante a votação que definiu a dissolução do Parlamento.